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Zico Brasil França 1986

A caminho do Brasil – começa a viagem

2014 e estamos a caminho do Brasil, para mais um Mundial de Futebol. Longe de fazer um diário de viagem, convido-vos a viajar na história de vários mundiais e de intervenientes do deste verão, num cruzar do globo em busca de histórias de futebol.

Para começar, falemos do Brasil e do Mundial. O meu primeiro Mundial foi o de 1986, quando tive oportunidade de acompanhar em tempo real quase todos os jogos da competição – alguns deles, em semana de escola, ainda, calharam a horas demasiado tardias para um miúdo de sete anos, infelizmente, não tendo valido de muito a ordem de ir para a cama, porque o sono só chegava depois de confirmado o resultado.

A seleção do Brasil de 1986 é talvez uma das seleções brasileiras mais esquecidas da história, surgindo numa posição bastante ingrata, entre uma das suas míticas representações, a de 1982, e uma das suas mais lamentáveis, a de 1990. No que toca a jogadores, a colheita de 1986 era de topo. Zico, Júnior, Falcão e Sócrates, todos eles acima dos trinta anos, abriam portas a outros craques, como Alemão, Careca, Elzo e Branco.

Socrates Brasil Polonia 1986

Dr. Sócrates frente à Polónia

A fase de grupos foi ultrapassada sem nota de desassossego, com vitórias de 1 a 0 frente a Espanha e Argélia e, a fechar o grupo, um 3 a 0 sobre a Irlanda do Norte. Nos oitavos-de-final, o Brasil encontrava a Polónia, que vinha de eliminar Portugal, e voltou a golear, desta vez por 4 a 0. Com tal carreira, a ambição brasileira subiu para níveis máximos. Já não era o Brasil artístico que andava pelos relvados mexicanos, mas uma equipa que goleava conjuntos europeus com alguma facilidade.

Penalti!

Até que veio a França. Os franceses eram, à altura, campeões europeus, e já tinham deixado para trás a Itália. Era sábado de manhã, em Portugal. O Brasil entrou em jogo com aquela confiança de quem já sabia que havia vitória no caminho. Careca abriu o marcador aos 17 minutos e, no Brasil, a festa deve ter começado. Mas também foi esse o sinal para que a França começasse a criar perigo.

Zico Brasil França 1986

Zico chutou e Bats defendeu

Alguns centros para a área e o guarda-redes Carlos dava sinais de insegurança. Aos 40 minutos, a bola sobrou para o segundo poste e Michel Platini deu à França o golo do empate. Passaram 50 minutos em busca de mais um golo, as duas equipas, e o Brasil até poderia ter acabado com o sofrimento a meio da segunda parte, mas Zico, que tinha entrado na partida há poucos minutos, permitiu a Bats a defesa de uma grande penalidade. Passou-se o prolongamento e vieram as grandes penalidades.

Sócrates permitiu a defesa de Bats. Alemão marcou. Zico, desta vez, não falhou. Nem Branco. Mas Júlio César atirou ao poste. Luiz Fernandez marcou a grande penalidade decisiva. Pelo meio, Bellone já havia festejado um golo de uma bola que tinha ido do poste à cabeça de Carlos para entrar e também Platini decidira falhar a sua oportunidade, atirando por cima da baliza.

Foi uma sessão de grandes penalidades que parece ter durado uma eternidade. Na minha memória residem as imagens dos jogadores a caminhar ao sol de Guadalajara, do meio-campo até à área, preparando-se para marcar. Uma poderosa metáfora do dramatismo do futebol para um miúdo de sete anos.

A caminho do Brasil, em 2014, é impossível não lembrar este momento, talvez o primeiro momento marcante do futebol brasileiro na minha memória. É por aí que vamos. Venham comigo nesta viagem.

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