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Campeonato do Mundo do Brasil

A FIFA é uma espécie de euromilhões

A FIFA é um Estado. Um Estado dentro de outro Estado. De outros Estados.

A FIFA tem leis próprias. As leis da FIFA sobrepõem-se à leis dos outros Estados. As leis da FIFA obedecem a compromissos publicitários e a verbas muito altas. A FIFA dispõe de um evento que todo o mundo quer: o Campeonato do Mundo de Futebol. Por isto, todos os Estados deixam que a FIFA imponha as suas leis enquanto for conveniente. Para ter o direito (e não obrigação!) de organizar o evento do Campeonato do Mundo de Futebol, o país escolhido recebe uma lista de encargos que tem de cumprir. Independentemente da razoabilidade, ou não, dos itens dessa lista de encargos, cada país que se auto-propõe a organizar o evento, sabe que ela existe e que tem de ser cumprida. A maior parte dos itens dessa lista de encargos, fazem sentido e transformaram o Campeonato do Mundo de Futebol num dos maiores eventos à escala global, com as respectivas contra-partidas financeiras. Por isso a FIFA é um Estado dentro de outros Estados. Quem tem o maior evento desportivo do Mundo, talvez só equiparado aos Jogos Olímpicos, quem tem o dinheiro e o poder de decidir, é quem manda. E a FIFA é quem manda.

Uma das grandes mais valias da FIFA, e que acaba por tornar enorme aquilo que já é grande, é a distribuição dos prémios financeiros. Estamos perante o euromilhões. Aliás, vários euromilhões. É o Natal a chegar antes de tempo. Que só acontece de 4 em 4 anos. Para tristeza de muita gente. Mas também é o tempo que lhe dá essa mais valia. O Campeonato do Mundo de Futebol é um grande negócio que dá de comer a muitas, algumas, bocas, e mantêm entretidas muitas, bastantes, outras. Mas a FIFA teve a capacidade de ver longe e não matou a galinha dos ovos de ouro. É por isso que o Campeonato do Mundo de Futebol é o que é e a FIFA também é o que é.

A FIFA criou aquilo que os brasileiros, nesta sua caminhada até ao Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, interpretaram como o padrão-FIFA. E o que é o padrão-FIFA? O padrão-FIFA é um sistema de qualidade onde só conta o que é bom, o excelente, o único. As melhores coisas para os eleitos. Vende-se a ilusão do melhor do Mundo.

E chegamos assim ao fundamental do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil. A distribuição dos prémios pelos intervenientes. Depois, lá mais para o fim, descobriremos quem é o Campeão do Mundo que irá destronar a Selecção de Espanha do seu mandato (sim, porque esta selecção aburguesou-se e, não precisando de grandes prémios, resolveu fazer as malas e regressar a Espanha, nunca podendo, por isso, suceder a si própria).

A FIFA vai distribuir neste Campeonato do Mundo, um valor de 476 milhões de dólares. Um aumento de valor de prémios de cerca de 2000% desde o Campeonato do Mundo de 1982, em Espanha.

A equipa vencedora do torneio, irá receber 35 milhões de dólares (qualquer coisa como 25,8 milhões de euros), ou seja, cerca de 5 milhões de dólares por jogo. A Espanha, vencedora do torneio de 2010, na África do Sul, recebeu 30 milhões de dólares. A Itália, vencedora do torneio de 2006, na Alemanha, recebeu 19, 6 milhões de dólares. De então para cá, o negócio parece ser muito rentável. E justifica muitas coisas.

A Distribuição do Dinheiro

Números

Eh, pá! Tantos e tão grandes números

A equipa que for finalista vencido, receberá 25 milhões de dólares (qualquer coisa como 18,4 milhões de euros).

A equipa que conseguir o terceiro lugar na prova, receberá 22 milhões de dólares (qualquer coisa como 16,2 milhões de euros).

A equipa que ficar com o quarto lugar no Campeonato, receberá 20 milhões de dólares (qualquer coisa como 14,7 milhões de euros).

Todas as equipas que consigam chegar aos quartos-de-final, e aí sejam eliminadas, irão receber 14 milhões de dólares (qualquer coisa como 10,3 milhões de euros).

Todas as equipas que consigam chegar aos oitavos-de-final, e aí sejam eliminadas, irão receber 9 milhões de dólares (qualquer coisa como 6,6 milhões de euros).

E todas as outras equipas, que foram ao Campeonato do Mundo, mas que se ficaram pela presença na fase de grupos, irão receber 8 milhões de dólares (qualquer coisa como 5,9 milhões de euros).

Assim, a FIFA irá distribuir 358 milhões de dólares por entre todas as selecções presentes no Campeonato do Mundo de 2012, no Brasil. Mas para os 476 milhões de dólares previstos, ainda faltam alguns milhões. E eles vão para onde?

Bom, 70 milhões de dólares vão para os clubes cujos jogadores estejam no Campeonato do Mundo, o que reflecte o dobro do despendido durante o Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul.

Ainda vão 48 milhões de dólares para as federações presentes no evento, como forma de contribuição pela preparação das respectivas selecções para o Campeonato do Mundo.

Há ainda, cerca de 100 milhões de dólares que não entram na contabilidade da FIFA como prémios de jogo do Campeonato do Mundo, que é direccionado para um programa intitulado Programa de Protecção aos Clubes, e que funciona como um seguro para os atletas em jogos pelas respectivas selecções durante o Mundial.

Um Campeonato de Recordes

E num Campeonato do Mundo onde os recordes estão a ser batidos, e onde tudo é como o país que o organizou, grande, muito grande, enorme, também, financeiramente, este Campeonato do Mundo está a ser “O” Campeonato do Mundo que a FIFA desejava, por mais sustos que tivessem tido nos dias antes do início quando ainda havia obras a executar e outras que dificilmente estaria completadas e…

Ora bem, Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil: o Mundial mais caro de sempre (aquele que custou mais dinheiro a organizar, ou seja, aquele onde os contribuintes, neste caso brasileiros, mais tiveram de investir); o Mundial mais lucrativo de sempre (aquele onde a FIFA mais lucrou financeiramente); o Mundial onde se distribuirão maiores prémios (aquele onde os jogadores, as selecções, as federações mais dinheiro vão embolsar); o Mundial mais visto de sempre em todo o Mundo (o número de potenciais assistências à transmissão dos jogos, no Mundo global, é a maior de sempre, englobando quase todo o Planeta. No Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul, 530 milhões de pessoas viram a Selecção de Espanha ganhar o torneio e levantar a Taça do Mundo. Neste Mundial há a expectativa de pulverizar esse número. No Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, foram credenciados mais de 14.000 jornalistas de todo o Mundo); o Mundial com maior número de ingressos vendidos (aquele que mais bilhetes vendeu para os jogos ao vivo, nos estádios e arenas criados ou recriados para o evento); e o Mundial com maior número de estrelas, e de salários mais elevados, por metro quadrado nos estádios (aquele em que, mesmo faltando alguns craques, por lesão ou por não apuramento das respectivas selecções, mais estrelas do futebol, e jogadores mais caros, estiveram em campo).

Espectadores

O número de espectadores pulverizou as edições anteriores

Este foi mesmo o Mundial do padrão-FIFA. Um Mundial de ricos, para ricos. Claro que houve (está a haver!) alguns intrusos. Seja na cercania dos eventos, seja nos jogos. O povo aprendeu a qualidade e gostaria de contar com ela no dia-a-dia da sua vidinha, reflectido em melhores transportes públicos, melhor educação, melhores escolas, melhor saúde, melhor vida. Países como a Argélia e  Costa Rica aprenderam também o gosto, e lutaram por ele. A Argélia vendeu muito caro a sua derrota à Alemanha. A Costa Rica continua por lá.

Vamos lá a ver. O padrão-FIFA. As estimativas de ganho da FIFA neste Campeonato do Mundo, ultrapassam os 4 biliões de dólares, mais 800 milhões do que o que obteve em 2010, na África do Sul, para um investimento total que rondará os 2 biliões de dólares.

O Campeonato do Mundo é um grande, um excelente negócio. E a FIFA é um Estado. Um Estado dentro do Estado. Dos Estados.

No entanto… No entanto, o Brasil gastou quase 4 biliões de dólares por 12 estádios. Estádios, alguns construídos de raiz, outros reconstruídos. Este valor é 3 vezes mais que o valor que a Confederação Brasileira de Futebol tinha indicado à FIFA em 2007. Bom… Toda a gente sabe que as contas são para derrapar, principalmente nestes montantes. Ninguém é tão bom assim a matemática ou a economia para indicar um número de custo que se aproxime do gasto real, à distância de tantos anos, em tantas obras, e com tantas mãos e bolsos a passar pelo processo. Só para se entender melhor, estes quase 4 biliões de dólares que os brasileiros gastaram com os estádios (o tal dinheiro para o país padrão-FIFA que o povo exigia nas ruas das grandes cidades do Brasil), é o mesmo que alemães e sul africanos gastaram, em conjunto, nas obras de construção dos seus estádios (12 na Alemanha e 10 na África do Sul). É obra.

Meanwhile… Os seis parceiros oficiais da FIFA, ou seja, a Adidas, a Coca-Cola, a Hyundai-Kia Motors, o Emirates, a Sony e a Visa, pagaram mais de 700 milhões de dólares pelos direitos de exploração, e aparecerem no Mundial.

A estes números, teremos de acrescentar os valores dos patrocinadores oficiais do Campeonato do Mundo, como a Budweiser, Castrol, Continental, Johnson & Johnson, MacDonalds, Moy Park, Oi e Yingli. E, ainda, os valores do apoios brasileiros como  a Apex Brasil, Garoto, Liberty Seguros, Centauro, Itaú e Wise Up.

A FIFA é um Estado. Mas tem um euromilhões que vai distribuindo por aí.

Mas no meio de todos estes números astronómicos, há outros números, uns de circo, outros mais sérios, que surgem como curiosidade, mas revelam outras coisas. Às vezes revelam carácter.

Se a Selecção de França ganhar o Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, cada jogador receberá 330 mil euros, 10% mais do que o previsto em 2010, na África do Sul, onde os franceses não foram além da fase de grupos.

Os jogadores da Selecção da Grécia, prescindiram dos prémios de jogo a que teriam direito, para a construção da Casa das Selecções da Grécia.

Os jogadores da Selecção da Argélia doaram os seus prémios de jogo para a população da Faixa de Gaza.

A Lotto, marca de materiais desportivos que vestiu a Selecção da Costa Rica, não estava à espera do sucesso da selecção e o resultado foi terem esgotado todas as camisolas oficiais da Costa Rica. Um grande furo para a Lotto.

Enfim… A FIFA é um Estado. Dentro do Estado. Mas ainda há pequenos estados de gente que vão fazendo a diferença.

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