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Lionel Messi

A insustentável leveza argentina

Estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Cerca de 60.000 espectadores. Bom tempo com céu limpo.

Selecção da Argentina – Sergio Romero, Pablo Zabaleta, Ezequiel Garay, Federico Fernández, Marcos Rojo, Fernando Gago, Javier Mascherano, Ángel di María, Lionel Messi, Gonzalo Higuaín (77′ Rodrigo Palacio), Sergio Agüero (77′ Ezequiel Lavezzi).

Treinador – Alejandro Sabella.

Selecção do Irão – Alireza Haghighi, Pejman Montazeri, Jalal Hosseini, Amir Hossein Sadeghi, Mehrdad Pouladi, Andranik Teymourian, Javad Nekounam, Ehsan Hajsafi (88′ Reza Haghighi), Ashkan Dejagah (86′ Alireza Jahanbakhsh), Reza Ghoochannejhad, Masoud Shojaei (76′ Khosrow Heydari).

Treinador – Carlos Queiroz.

Golos – 90′ + 1′ Lionel Messi – Argentina 1 – 0 Irão.

Eram 17:00′ deste Sábado, em Portugal continental, quando as selecções da Argentina e do Irão iniciaram o seu confronto em luta pela qualificação no Grupo F.

Este confronto tinha, para além da disputa imediata, o aliciante de ter, como treinador do Irão o português Carlos Queiroz e o guarda-redes do Sporting da Covilhã, Alireza Haghighi, e como jogadores da Argentina, o ainda benfiquista Ezequiel Garay, o sportinguista Marcos Rojo, o madrileno e ex-benfiquista Ángel di María e ainda, um dos dois melhores jogadores do Mundo, Lionel Messi.

A Argentina vinha de uma vitória por 2 a 1 sobre a Selecção da Bósnia Herzegovina, e o Irão de um empate a zero golos com a Selecção da Nigéria.

Ambos os treinadores vinham com expectativas para este jogo, e a Argentina sabia que se ganhasse ficava já apurada para os oitavos-de-final, e Carlos Queiroz estava consciente das suas limitações e do poder do futebol argentino e dos seus jogadores. Mas acreditava que, por vezes, o menos é mais, e que poderão haver algumas surpresas.

A Primeira Parte

E a selecção iraniana entrou logo no risco. Ainda não tinha passado 1 minuto de jogo, já os jogadores iranianos tinham cometido três faltas duras, a última das quais sobre Ángel di María. Estas faltas tiveram o condão de fazer os argentinos abrandarem o ritmo de jogo. E, ao mesmo tempo, permitiu que os iranianos conseguissem subir no terreno e, aos 4′ de jogo, a selecção iraniana não esteve muito longe do golo.

Mas depois, os argentinos arrancaram para o ataque continuado sobre o meio-campo iraniano. A falta de qualidade dos iranianos era compensada pelas faltas, constantes, a cortar as jogadas, e a floresta de jogadores que apareciam onde estava a bola. Os jogadores de Carlos Queiroz estavam em grupo, à defesa, mantendo-se sempre em maior número junto do jogador argentino detentor da bola.

Nesta altura do jogo, por volta dos 10′, o Irão estacionou o autocarro em frente à baliza de Alireza Haghighi. A Argentina carregava de uma forma constante, mas longe de ter uma grande oportunidade de golo. Esta apareceu só aos 14′, numa saída rápida de Gonzalo Higuaín sobre a baliza iraniana, mas com Alireza Haghighi a conseguir roubar a bola dos pés do argentino no momento do remate.

Argentina 0 - 0 Irão

E na primeira parte, a Argentina não conseguiu furar a muralha iraniana

Aos 18′, os argentinos encetaram um rápido contra-ataque, aproveitando o facto dos iranianos terem subido para um pontapé de canto, chegando a estar em número superior, mas na altura do remate, Gonzalo Higuaín rematou por cima da barra da baliza iraniana. Logo depois foi a vez de Sergio Agüero responder a uma bola que lhe foi endereçada dentro da área iraniana, rematou forte e colocado mas Alireza Haghighi voltou a defender a bola e a não deixar violar as redes da sua baliza.

E até à meia-hora de jogo, os argentinos continuaram a subir várias vezes, de várias formas, por jogadores diferentes, mas com o resultado a ser igual, ou seja, com o Irão a bloquear todos os caminhos que os sul-americanos tentavam desbravar.

Aos 32′, Lionel Messi marcou um pontapé livre, frontal à baliza do Irão, a sancionar uma falta persa, mas o jogador argentino rematou a bola por cima da baliza. Aos 36′ repetiu-se a acção, com a bola a ir para a cabeça de Ezequiel Garay, que, no entanto, cabeceou por cima da baliza.

Aproximava-se o intervalo, e a Argentina não conseguia desatar o nó iraniano, duro, faltoso, fechado, utilizando o que podiam para bloquear os caminhos para a sua baliza, enquanto tentavam, ao mesmo tempo, aproveitar tímidos contra-ataques e lances de bola parada. Foi assim, num canto ganho no seguimento de uma falta, que o Irão se aproximou perigosamente da baliza de Sergio Romero, com a bola a passar muito próximo do ferro.

Notava-se já um certo nervosismo por parte dos argentinos que não conseguiam furar a defesa iraniana e não tinham imaginação para tentar alternativas. No entanto, a primeira parte do jogo acabou com os jogadores iranianos a forçarem remate sobre a baliza argentina, chegando a assustar os sul-americanos.

A Segunda Parte

E o intervalo não alterou nada em nenhuma das equipas. O Irão continuou com a sua muralha defensiva intensiva. A defender em bloco. Ou passava a bola ou passava o homem. Por vezes não passava nenhum deles. Por outro lado, a Argentina continuava também sem imaginação para resolver esta charada. Atacava, atacava, mas não ia a lado nenhum. Três avançados, Lionel Messi, Gonzalo Higuaín e Sergio Agüero, a quem se juntava Ángel di Maria, e no entanto, pobre, frágil e sem soluções de ataque. O resultado mantinha-se em zero, e esse era o resultado que se justificava.

E aos 52′, quase que acontecia o escândalo no Mineirão, quando, numa jogada rápida de contra-ataque, o irão aproximou-se perigosamente da baliza argentina, com Reza Ghoochannejhad a cabecear para uma defesa apertada e muito aplicada de Sergio Romero. Logo quase de seguida, novo contra-ataque iraniano com os jogadores do Irão a pedirem grande penalidade por falta de Pablo Zabaleta sobre Ashkan Dejagah, que o árbitro deixou passar.

E de repente, nos primeiros 15′ de jogo da segunda parte, só dá Irão, que já esteve muito perto do golo e sofreu uma grande penalidade não assinalada.

Lionel Messi

Só a arte de Lionel Messi conseguiu ganhar o jogo

Só aos 60′ a Argentina conseguiu algum perigo com uma subida muito rápida e individual de Lionel Messi a rematar muito próximo da baliza de Alireza Haghighi.

Mas voltou outra vez o Irão para o ataque, quem diria? Aos 64′, no seguimento de um pontapé de canto, esteve, de novo, à vista, outra possibilidade de golo para o Irão, tendo a jogada tornado-se muito confusa frente a Sergio Romero, e tendo acabado Fernando Gago por rematar para despachar a bola da área argentina. Cinco minutos depois, a completar uma jogada iraniana, Ashkan Dejagah cabeceou a bola para a baliza argentina e foi muito a custo que Sergio Romero a defendeu para canto. Nesta altura, o Irão já merecia o golo. A Argentina não encontrava soluções.

A 12 minutos do fim do jogo, Alejandro Sabella mexeu na equipa, mas fez troca directa de jogadores, refrescando, mas não alterando nada na estrutura de jogo.

A Argentina demonstrava não ter capacidade para resolver o jogo, e o Irão cada vez mais se aventurava no contra-ataque.

Aos 82′, o sportinguista Marcos Rojo rematou forte de fora da área, mas com a bola a passar ao lado da baliza.

Voltavam os iranianos ao contra-ataque e a sofrer falta por parte da defesa argentina, mas depois, na marcação da falta a bombear a bola para a área argentina e a perder-se nas mãos de Sergio Romero.

Foi a vez de Carlos Queiroz refrescar a equipa fazendo três substituições, e depois, aos 88′ a maior oportunidade de golo da partida, com o Irão a partir em contra-ataque rápido por Reza Ghoochannejhad que, ao aproximar-se da baliza argentina, rematou para a defesa de Sergio Romero.

E, de repente, aos 90′ + 1′ de jogo, movimento de Lionel Messi em frente à baliza iraniana e a rematar colocado à baliza de Alireza Haghighi e a fazer o golo da vitória para a Argentina.

Conclusão

E a Argentina lá ganhou o jogo. Aliás, Lionel Messi ganhou o jogo que o Irão não merecia perder.

A Selecção Argentina entrou forte, a pressionar muito o último reduto persa, mas sem alguma vez conseguir ser verdadeiramente perigosa.

Por outro lado, a Selecção do Irão defendeu bastante bem, por vezes defendendo com todo a equipa, mas a momentos, a subir, a provocar perigo e quase a conseguir marcar golo.

Irão

Os iranianos não mereciam ter perdido o jogo

É preciso não esquecer que o Irão sofreu uma grande penalidade que o árbitro não assinalou. E este Irão, na segunda parte, atacou bastante, e bem, que acabou por não ter a sorte do jogo.

Este acabou por ser resolvido por uma jogada individual de Lionel Messi, a resolver aquilo que o seu treinador Alejandro Sabellanãp conseguiu resolver.

Esta Argentina está a deixar muito a desejar, a levar de vencida jogos com alguma sorte e usando a capacidade de jogo de Lionel Messi para resolver os problemas com que se depara.

Com uma lista de avançados dos melhores do Mundo, a Argentina nunca conseguiu superiorizar-se ao Irão de Carlos Queiroz que acabou por montar um sistema que só não deu resultado porque apareceu Messi no final.

Só se pode dizer ainda que, este Irão ainda não está afastado da competição, e a Argentina que já está nos oitavos-de-final, se continuar assim, não irá muito longe.

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