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Adidas Brazuca

Adidas Brazuca – A Bola do Mundial do Brasil

Um clichê: o futebol são onze jogadores de cada lado e no final ganha a Alemanha.

Uma maledicência: o futebol são três equipas, duas que defrontam e uma terceira que só chateia.

Uma ausência: para jogar futebol, é preciso uma bola.

A maior das verdades do que se afirmou acima é que, realmente, é sempre preciso uma bola para se jogar uma partida de futebol. Pode ser de trapos, uma lata, de catechu, couro ou de fibra. Mas é sempre necessário haver uma bola que permita o confronto, o jogo, a magia. No fundo, a razão e o motivo pela qual pode haver confronto e disputa.

No Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, a bola é a Adidas Brazuca, nome votado pelo público. E desde o Campeonato do Mundo de 1970, no México, que a Adidas é a fornecedora oficial da bola com que se disputam os Mundiais. Mas desde o primeiro Campeonato do Mundo, em 1930, no Uruguai, que há, mais ou menos uma bola oficial.

A História da Bola nos Campeonatos do Mundo

Modelo T

A bola Modelo T, de origem uruguaia, foi a primeira bola de uma Campeonato do Mundo, sendo a bola do Mundial de 1930, no Uruguai.

No primeiro Campeonato do Mundo, a bola utilizada  foi a Modelo T, uma bola uruguaia, de couro, feita por 12 tiras rectangulares, com uma costura externa, por onde entrava a câmara de ar da bola. Mas na final, entre as selecções do Uruguai e da Argentina, os argentinos recusaram-se a jogar com a bola uruguaia e, então, foi necessário um consenso: na primeira parte, jogou-se com uma bola argentina, a Tiento, em quase tudo semelhante à Modelo T, mas ligeiramente menor, e na segunda parte, jogou-se com a bola uruguaia. A verdade é que ao intervalo a Argentina saiu a ganhar mas, no final do jogo, ganhou o Uruguai.

Nos Campeonatos do Mundo seguintes, em 1934, em Itália e em 1938, em França, as bolas eram muito semelhantes às bolas do primeiro Mundial. A bola de Itália era a Federale 102, e a de França a Allen, sendo que a bola francesa era um pouco mais escura, mas isso devia-se, unicamente, ao tipo de couro.

Depois da paragem forçada pela Segunda Guerra Mundial, o Campeonato do Mundo de 1950, no Brasil, utilizou o Super Duplo T, semelhante, ainda, às anteriores, mas com algumas novidades e melhorias. Mantinha o mesmo número de tiras, as 12, mas já tinha os cantos arredondados, o que facilitava a costura e aguentava maior pressão. Esta bola já vinha com uma câmara de ar no interior e com um pipo (válvula), que permitia encher a bola sem a necessidade de a abrir, o que tornou desnecessário a costura externa e tornou esta bola mais durável e fiável.

A Primeira Revolução nas Bolas

A primeira revolução no tipo de bola utilizada nas fases finais de um Mundial aconteceu no Campeonato do Mundo de 1954, na Suíça. A bola passou a ser padronizada, ou seja, toda a gente jogava com uma bola igual e esta passou a ter 18 tiras de couro, ao invés das 12 de anteriormente. Chamou-se Swiss WC Match Ball.

Em 1958, no Campeonato do Mundo da Suécia, a FIFA fez uma escolha oficial entre uma centena de bolas, tendo optado pela Top Star. Era muito parecida com a bola do Mundial anterior, mas vinha com uma ligeira diferença: a costura era feita em ziguezague para aguentar melhor as pressões interior (o ar) e exterior (os remates).

No Campeonato do mundo de 1962, no Chile, foi usada a Mr. Crack. eram muito diferentes das bolas usadas na Europa, com tiras de modelo diferente e feitas com couro de má qualidade que encharcava quando chovia e perdia a cor quando fazia sol. As más condições desta bola levou a que algumas selecções utilizassem outras bolas nos seus jogos.

Quatro anos mais tarde, em 1966, no Campeonato do Mundo de Inglaterra, foi utilizada a Challenge 4-Star, produzida pela Slazenger, escolhida pela FIFA depois de ter experimentado várias opções. Esta bola era composta por 24 linhas de couro, o que conseguia tornar esta bola ainda mais redonda e manter esse formato durante mais tempo sem se deformar com tanta facilidade.

A Era da Adidas

Adidas Telstar

A Telstar foi a primeira bola da Adidas e definiu um padrão de bola que ainda hoje é referência.

Pela primeira vez a FIFA escolheu um fabricante para produzir a bola oficial de um Mundial. A escolha recaiu sobre a Adidas, que se mantém até hoje como a fabricante oficial das bolas dos Mundiais. A empresa alemã criou a Telstar para o Campeonato do Mundo de 1970, no México. O nome foi uma homenagem ao satélite que iria transmitir o Mundial em directo para todo o Mundo e com o qual partilhava semelhanças físicas. Foi também o início das transmissões dos jogos de um Campeonato do Mundo em directo. A Adidas optou por pintar a bola a preto e branco para melhor se ver nos ecrãs de televisão. E também, pela primeira vez, acabou com as tiras e criou uma bola com 20 hexágonos e 12 pentágonos, o que dava à bola a melhor das esfericidades possíveis. Os hexágonos eram a branco, e os pentágonos a preto. Deve dizer-se que sete modelo foi o mais famoso e com maior vida, tendo sobrevivido até aos dias de hoje. Tornou-se, inclusivamente, a ideia de bola. Representa a bola.

No Mundial seguinte, em 1974, na Alemanha Ocidental, a Adidas lançou uma melhoria da Telstar, chamada Telstar Durlast, que era mais impermeável e mais resistente à água. Paralelamente, foi lançada uma bola semelhante, mas toda em branco, chamada Adidas Chile Durlast, e que foi utilizada em vários jogos do Campeonato do Mundo. Após o Mundial, a Adidas lançou uma versão com hexágonos a laranja e pentágonos a preto, para ser utilizada em jogos onde houvesse neve. Chamava-se Super Lux.

Para o Campeonato do Mundo de 1978, na Argentina, a Adidas apresentou a Tango, em homenagem à famosa dança argentina. Como na Telstar, a Tango também era composta por 20 hexágonos e 12 pentágonos, mas com uma decoração diferente: a decoração não estava nos gomos, mas na totalidade da bola, criando 12 círculos iguais. Este modelo de bola manteve-se quase inalterado, com algumas pequenas modificações no desenho dos círculos, durante cinco Mundiais. Mas no Campeonato de 1982, em Espanha, a Tango España era mesmo de desenho igual, com algumas modificações ao nível da composição técnica, sendo uma bola revestida com poliuretano e borracha, o que a tornou a primeira bola verdadeiramente resistente à água. No entanto, revelou-se uma bola frágil, com as costuras a precisarem de ser reparadas durante os jogos. Esta Tango España foi, também, a última bola de couro a ser utilizada nos Mundiais.

A Revolução Sintética

Adidas Azteca

No Campeonato do Mundo de 1986, no México, a Adidas apresentou a Azteca, em homenagem ao povo azteca, que tinha como novidade ser a primeira bola sintética.

Em 1986, no Campeonato do Mundo do México, a Adidas apresentou a Azteca. Com o mesmo design da Tango, a diferença estava na decoração da composição dos círculos, trabalhados tendo como base de inspiração a arte azteca, civilização milenar que habitou a zona que agora é o México. Mas a grande novidade da Azteca é que era uma bola feita totalmente de material sintético. Pela primeira vez, as bolas de futebol deixavam de ser feitas de couro.

No Mundial de 1990, em Itália, a Adidas apresentou a Etrusco Unico, bola semelhante à Tango, mas com os triângulos curvos que formam os círculos, representando os leões típicos da arte etrusca. mas a Adidas, continuando sempre a inovar, apresentou uma bola que vinha com uma camada interna de espuma de poliuretano para torná-la ainda um pouco mais leve e resistente, bem como uma camada de neoprene para ser ainda mais impermeável à água.

A Questra foi a bola que a Adidas apresentou, quatro anos mais tarde, em 1994, para o Campeonato do Mundo dos Estados Unidos. Novamente tendo como base a Tango, os triângulos curvos tinham o desenho de constelações de estrelas que advém da frase que está na origem do nome Questra: the quest for the stars. Desta bola foram ainda feitas três outras versões: a Questra Europa, utilizada no Campeonato da Europa de 1996, em Inglaterra, era colorida e com os desenhos de três leões e uma rosa, os tradicionais símbolos ingleses; a Questra Olympia, que foi utilizada nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, em Atlanta; e a Questra Apollo que foi utilizada no Campeonato de Espanha, na época de 1996-97. A Questra era uma bola mais leve e ágil, feita de cinco materiais diferentes, que ganhava maior velocidade quando chutada, permitindo grande golos de belos efeitos. Foi uma bola muito amada pelos avançados mas muito criticada pelos guarda-redes, que iniciavam aqui uma época de grande contestação às novas bolas, argumentando que cada vez se tornava mais difícil defendê-las. Essas críticas mantêm-se até hoje, mas os guarda-redes acabam sempre por se adaptar às novas bolas.

Para o Mundial de 1998, em França, a Adidas apresentou uma nova versão da Questra. Em tudo semelhante, a Tricolor era contudo uma bola colorida, utilizando as cores da bandeira francesa, o azul, o branco e o vermelho, além de trazer o desenho de um galo estilizado – o símbolo francês.

O Fim da era da Adidas Tango

Adidas Fevernova

A Fevernova veio acabar com a época da Adidas Tango. Foi a bola do Campeonato do Mundo de 2002, na Coreia do Sul-Japão, e produziu golos memoráveis.

Depois, em 2002, para o Campeonato do Mundo da Coreia do Sul-Japão, a Adidas apresentou aquela que foi, então, o grande sucesso global das bolas de um Mundial: a Fevernova. Finalmente acabava-se o império das bolas Tango. Verdadeira estrela das bolas, a Fevernova via-se em tudo o que era sítio, por mais recôndito que fosse. Embora mantivesse a composição de hexágonos e pentágonos, o desenho era diferente, mostrando um grande triângulo cinzento, que cruzava vários gomos da bola, ladeado a dourado, coberto com uma espécie de cabeça vermelha de fogo. Era ainda mais leve que as anteriores, utilizando uma fina camada de espuma e três camadas de malha que permitem um voo mais preciso e previsível. Tal como a anterior, a Fevernova também foi muito contestada pelos guarda-redes. Mas no Mundial de 2002, conseguiu produzir fantásticos golos.

Para o Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha, a Adidas provoca nova revolução e apresenta a Teamgeist, onde, ao fim de tantos anos deixa de parte a composição com hexágonos e pentágonos e faz uma bola com 14 peças, sendo que as peças desenhadas se aproximavam do símbolo infinito, ou seja, uma estilização do número 8 (oito). Para a final, a Adidas apresentou uma variação da Teangeist, a Teamgeist Berlin, que diferia da primeira pela coloração dourada do símbolo infinito. Outra característica iniciada com esta bola foi a inclusão da informação do jogo onde seriam utilizadas, composto pelo nome das selecções em confronto, o nome do estádio onde seria jogado e a data do evento.

Em 2010, no Campeonato do Mundo da África do Sul, nova revolução criada pela Adidas ao apresentar a Jabulani. Esta bola voltava a reduzir o número de peças na sua composição. Das 14 da Teamgeist, passou-se para as 8 da Jabulani. Esta bola multicolorida – utilizava 11 cores diferentes, representando os 11 dialectos  da África do Sul, as suas 11 tribos e os 11 jogadores que compõem uma equipa de futebol -, tinha uns desenhos estilizados que lembravam o FNB Stadium de Joanesburgo, onde seria disputada a final entre a Espanha e a Holanda. Outra característica desta bola era a utilização de uma tecnologia que permitia uma melhor precisão de remate e de controle de bola. Mas para a final a Adidas apresentou uma variação da Jabulani, chamada Jo’bulani, nome inspirado na cidade de Joanesburgo, chamada, por muitos, de Jo’burg, além dos contornos dourados, também de homenagem à cidade, apelidada de Cidade do Ouro e como homenagem ao prémio ganho pelo vencedor da final.

A Brazuca e o Samba

Adidas Brazuca

A Adidas Brazuca é a bola do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, e promete levar a alegria e o samba para os jogos de futebol.

Mais uma vez, a Adidas a revolucionar-se a si mesmo. A Brazuca, a bola oficial do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, é composta por 6 peças idênticas e um relevo que permite melhor aderência e toque e uma melhor aerodinâmica no solo.

É também uma bola multi-colorida inspirada nas fitinhas coloridas dos desejos que o Brasil exportou para todo o Mundo. Além de que representa a alegria típica dos brasileiros para quem não há problema se houver uma praia para apanhar um bronze ou uma bola para uma peladinha.

Há mais de dois anos que inúmeros jogadores de todas as partes do Mundo a têm testado para se conseguir produzir a bola de futebol definitiva – pelo menos até à próxima que será apresentada no Campeonato do Mundo de 2014, na Rússia.

O nome foi escolhido em votação popular no Brasil. Mais de um milhão de participantes optaram pela hipótese Brazuca que é uma alcunha carinhosa para o brasileiro e o tipo de vida que ele leva: sol, praia, samba, futebol e caipirinhas. No fundo o que se espera que seja este Mundial, uma celebração das coisas boas da vida num ambiente informal, alegre e muito bem disposto, um samba real.

Não será pela bola que este Campeonato do Mundo não será um sucesso.

The proposal calls for a college of about 5,100 students most nominated by lawmakers, as is the case with the military-service academies who would major in liberal more about the poet arts fields, with a focus on public service and leadership

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