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Itália

Arrivederci, ragazzi

São sempre uma das selecções indicadas como possível campeã. Mesmo quando não o parecem. A Itália é um equipa cínica e matreira, capaz de tudo e do seu contrário, arrastar-se durante todo um jogo e, depois, num momento de puro génio, subir aos céus na companhia dos deuses.

Não desta vez.

Desta vez enganaram de início, mas não conseguiram encobrir no fim. Afinal, não era a Itália que estava fantástica, era mesmo a Inglaterra que não podia com uma gata pelo rabo.

Vamos por partes. No primeiro jogo da selecção italiana na fase de grupos do Campeonato do Mundo do Brasil, defrontaram os ingleses. E ganharam. Por 2 a 1. Que sem fazer um grande jogo, conseguiram levar de vencida uma antiga campeã do Mundo, a Inglaterra. Bom. Muito bom.

Ao mesmo tempo, a selecção uruguaia, outra antiga campeã do Mundo, era destroçada pela Costa Rica por 3 a 1. Por quem? Exacto, uma pequena selecção da América Central, sem grande tradição futebolística. Portanto, o Uruguai está mal, e a Itália tem o caminho aberto para os oitavos-de-final. Mais uma vez, errado.

No segundo jogo do Grupo D, os italianos receberam os costa-riquenhos. Entraram com a sua habitual presunção. Jogamos contra quem? A selecção que venceu o Uruguai. Ah, bom. Mas resposta incompleta. A selecção que também venceu a Itália. Desculpem? Sim, claro. A Selecção da Costa Rica, que tinha derrotado o Uruguai, também venceu a Itália por 1 a 0. Afinal, que se passa? O fim de uma época. Nem mais.

Entretanto, os uruguaios, que tinham perdido com a Costa Rica, foram ganhar à Inglaterra. Que se tornou num saco de pancada a que todos querem bater.

Bom. A Costa Rica estava virtualmente apurada para os oitavos-de-final, faltando-lhe jogar com a Inglaterra, a tal selecção que perdia com todas as selecções. A Costa Rica empatou. A zero golos. Não se percebeu quem ganhou ou perdeu pontos. Mas, mais uma ex-campeã do Mundo não conseguiu levar de vencida uma simpática selecção de um pequeno país da América Central. A Costa Rica continuava em prova, com o primeiro lugar de um grupo onde estavam 3 antigos campeões do Mundo. É obra.

Andrea Pirlo

O final do Mundial do Brasil para a Itália, também marca o adeus de Andrea Pirlo

Ao mesmo tempo, Itália e Uruguai defrontavam-se para ocupar o único lugar disponível que os costa-riquenhos tinham deixado livre. À Itália bastava o empate, que tinha melhor diferença de golos. Mas foi o Uruguai a marcar. Que se passa Itália? Os clubes italianos já não ocupam os principais lugares nas grandes campanhas da UEFA, e a selecção é destratada desta forma pelos outros. Que se passa?

Chorando as dores do afastamento às mãos de uma equipa do sul da América do Sul, e das dentadas de Luis Suárez (o rapaz é tonto, só pode!), a Itália só pode queixar-se de si própria. Não dependia de ninguém, só de si própria, e não conseguiu ser-se suficiente.

No fundo, o problema da selecção italiana, tal como o da selecção espanhola e o da selecção portuguesa, tem a ver com um problema de regeneração de uma época. No entanto, o italianos já o andam a fazer. Ao contrário de espanhóis e portugueses que teimam em não mexer naquilo que chamam de núcleo duro, não deixam que as equipas se renovem e os mais velhos já não têm argumentos para dar a volta a quem tem sangue na guelra.

Não que sejam maus jogadores. Nada disso. E o caso de Andrea Pirlo é significativo. Ninguém nega que é um craque, uma estrela, um fora-de-série. Mas tem 35 anos. No Brasil, e com as grandes diferenças de temperatura a que se sujeitaram, e às horas de calor infernal a que jogaram e aos excessos de humidade às quais tiveram de sobreviver, a idade de Andrea Pirlo foi uma dificuldade. E o seu tardio afastamento, tardou, também, a entrada de outras opções que poderiam ser válidas ou, pelo menos, construtoras de um caminho para o futuro que, agora, ainda vai demorar o seu tempo a ser construído. O mesmo se passa com a selecção portuguesa. Para quê levar jogadores como Rafa e Vieirinha, se acabam por jogar os mesmo jogadores de sempre, mesmo estando lesionados, em baixa de forma ou, simplesmente, cansados?

A Itália, que já albergara 2 Campeonatos do Mundo, em 1934 e em 1990, e que vencera 4 deles, a saber, em casa em 1934, em França em 1938, em Espanha em 1982 e na Alemanha em 2006, despediu-se sem honras deste Mundial do Brasil.

O catenaccio, que já foi dado como morto e enterrado inúmeras vezes, aparece de vez em quando como uma estratégia a que recorrem quem não tem argumentos tácticos nem técnicos suficientes. Tem sido, por vezes, a estratégia da Grécia. Às vezes com bons resultados, como por exemplo no Euro 2004. Mas só a Itália o utilizava na sua plenitude e com grande mestria. Mas até isso está a morrer em Itália.

Precisa-se de renovação. De novos jogadores. De outras estratégias, tácticas e técnicas.

Precisa-se de uma nova Itália, que esta, já deu o que tinha para dar.

Arrivederci, ragazzi. Fino al prossimo Mondiale.

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