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Neymar Brasil

Brasil e Neymar, a dependência dá para os dois lados

O Brasil sem Neymar não seria o mesmo, provavelmente não estaria sequer encaminhado para discutir o título deste Mundial. É uma evidência, reforçada a cada partida da canarinha. Mas o inverso também é verdadeiro, Neymar precisa do Escrete, basta ver como ele ganha vida em campo com a camisola dez do Brasil. Coisa que não acontece no Barcelona. E quem fala da pressão no jogador, como se fosse uma coisa negativa, nunca observou o Júnior com atenção. Assumir a responsabilidade é o mais natural nele.

Deixa comigo

Mais uma vez, diante do seu público, Neymar avançou para salvar o dia. Fê-lo abrindo brechas, encontrando caminhos para a baliza adversária e desbloqueando o marcador. Numa partida em que Brasil precisava de ganhar para garantir o primeiro lugar do Grupo A, calar Van Gaal e conquistar a torcida mais desconfiada, ele fez o mais difícil. Para o bem e para o mau a afirmação do camisola 10 do Brasil para os seus companheiros tem sido sempre “deixa comigo”!

O primeiro golo de Neymar frente aos Camarões, aos dezassete minutos, foi o centésimo golo deste mundial, marcado no centésimo jogo do Brasil em campeonatos do mundo. A capicua parecia sinal de sorte, e de que a vitória canarinha estava lançada. A resposta dos Leões Indomáveis, nem dez minutos depois, foi um balde de água fria nos adeptos e no plantel brasileiro. Os Camarões, que ainda não tinham marcado nesta Copa, batiam o pé aos anfitriões. Mais, uma vez foi preciso Neymar para repor a ordem, coisa que fez aos trinta e cinco minutos da partida. Estava definido o tom, e o caminho para a goleada. O Brasil segue em frente, defrontando o Chile já no próximo fim-de-semana.

Dar e receber

No rescaldo da festa logo voltaram as vozes, umas críticas, outras mais de aviso. O Brasil está demasiado dependente do seu número dez. O que seria da equipa se – batam na madeira – ele se lesionar ou for castigado? Não seria o mesmo. Mas arrisco dizer que não seria um desastre e que outros assumiriam. E depois, essa é uma discussão estéril: se o jogador está disponível como não aproveitar a sua energia e talento? Depois vem a parte da pressão, que não é saudável nem justo para o avançado carregar o Brasil às costas. Esquecem-se que há elementos, como Neymar, que funcionam melhor nessas circunstâncias. Ele gosta disso, de ser o último a sair do autocarro, de cumprimentar os companheiros no túnel de acesso ao relvado antes das partidas, quase um capitão sombra. Por isso digo que a relação Brasil-Neymar é muito mais simbiótica do que vamos ouvindo. Ele arrasta a equipa atrás de si mas é também com o número 10 nas costas que ele se solta. De certa forma, é onde Neymar vem para carregar as suas baterias, para regressar à Europa e encaixar na máquina que é o Barcelona.

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