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Carlos Queiroz enfrenta autoridades iranianas

O Irão festejou com imensa alegria a qualificação para o Mundial do Brasil, mas as expetativas da Federação e dos adeptos chocam com a realidade. Inserida num grupo onde também estão equipas como a Argentina, a Nigéria ou a Bósnia-Herzegovina, o conjunto iraniano parte como uma das equipas mais frágeis da competição.

A guerra de Queiroz começou cedo, quando tentou reivindicar melhores condições de trabalho para a sua seleção. O nível do campeonato interno é relativamente fraco, apesar da enorme paixão por este desporto, e as decisões costumam ser tomadas de forma impetuosa e muito dominada pelo coração. Uma maior procura de jogadores fora do país, como demos nota ontem, mais campos de treino e, também, mais meios para trabalhar foram exigências que o português foi trazendo para cima da mesa durante meses.

Isto leva a que a posição de Queiroz tenha ficado sob atenção das autoridades de um país onde as hierarquias estão bem definidas. A seleção iraniana tem-se rodeado de algum secretismo na sua preparação, havendo até partidas amigáveis onde foi proibido recolher imagens. Será isso um sinal de que Queiroz está a conseguir levar a água ao seu moinho, ou estará a tentar adiar o quase inevitável cair na realidade?

A chegada dos jornalistas

Nekouam é aposta de Queiroz

Nekouam é aposta de Queiroz

Ontem terá sido o primeiro dia de confronto entre a seleção iraniana e a opinião pública, com a presença de quarenta jornalistas daquele país no treino da equipa. Obviamente, depois do secretismo, os meios iranianos tentam já adivinhar que equipa apresentará Carlos Queiroz no encontro frente à Nigéria. Apesar de nada no treino ter denunciado uma escolha óbvia, nos jornais iranianos lê-se que o onze poderá ser construído com estes nomes: Montazeri, Amirhossein Sadeghi, Jalal Hosseini e Pooladi; Nekounam, Timotian, Haji Safi e Dejagah; Heydari e Goochannejad.

A chegada dos jornalistas também originou alguns momentos caricatos, com jogadores a cumprimentarem os representantes da comunicação social, outro dos factos que já originou queixas de Queiroz, que espera um comportamento mais profissional dos seus jogadores.

E se o ramadão se atravessar no caminho da equipa?

Com o período de jejum religioso a iniciar-se no dia 28 de junho, algo que acontece pela primeira vez na história do campeonato do mundo, a equipa iraniana poderá estar perante um problema ético de largo alcance. Sendo o Irão um dos países onde mais se cumprem os preceitos da religião muçulmana, um apuramento para os oitavos-de-final poderia provocar um confronto de vontades entre o desejo de fazer a equipa brilhar e o respeito à tradição religiosa.

Para já, evita-se falar nesta questão, mas a exigência de Carlos Queiroz poderá ter um último confronto marcado para ocorrer no Brasil, caso a equipa tenha o sucesso desejado.

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