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Dilma Rousseff

Mas Afinal Quem Paga a Copa?

Do pessimismo ao optimismo. A vida do homem circula sempre entre o zero e o infinito. O tudo e o nada. Agora ou nunca.

Bom, de torneio prestigioso, o Campeonato do Mundo de Futebol começou a ser um evento caro e despesista. Principalmente agora, época de gente de garrote pronto a estancar despesas tendo em vista outros horizontes.

Claro que isto também tinha que chegar ao Mundial de Futebol. Não chegou foi pelo lado que se esperava. Antes pelo contrário.

A FIFA continua, porque o pode ser, muito exigente. No país da FIFA não há crise. Não há aperto. Não há controle de despesas. No país da FIFA criou-se um novo sistema de medição de qualidade chamado Padrão FIFA e que os brasileiros apregoaram por todo o lado que também o queriam. Podiam prescindir do Mundial (toda a gente sabe que no momento certo todos os brasileiros irão gritar pela sua selecção, mas até lá é preciso pedir, exigir, cobrar), mas não da sua medida de qualidade: o Padrão FIFA. E foi vê-los gritar que querem uma educação Padrão FIFA, uma saúde Padrão FIFA, transportes públicos Padrão FIFA, enfim… Um país Padrão FIFA. Mas para o conseguir é preciso recursos ou, para ser mais prático, dinheiro. E dinheiro, o Brasil até tem. Mas está a ir para outros lados. Para o Campeonato do Mundo de Futebol de Padrão FIFA, por exemplo.

Isto tudo a propósito de uma intervenção pública da Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em que embandeirou em arco sob o pretexto que, contra todos os pessimismos, o Campeonato do Mundo do Brasil ia realizar-se, e o Brasil estava pronto. Também, era só o que faltava, que o país não estivesse pronto, depois de tanto tempo e tanto dinheiro. Se até países como Portugal conseguiram erguer (e bem) o Europeu de 2004, como é que o Brasil, um colosso, não haveria de conseguir erguer o Campeonato do Mundo? É sempre tudo uma questão de dinheiro. E esse existe.

Mais continuou a Presidente do Brasil a bramir contra os que contestavam os gastos do país no evento. Diz a Presidente que esta é uma falsa questão. Que para os Estádios, as parcerias entre bancos públicos, governos estaduais e empresas privadas, foram gastos 8 biliões de reais. E que para a educação e saúde, os governos municipais, estaduais e o federal, gastaram 1,7 triliões de reais. Que portanto não houve desvio de verbas nem faltou dinheiro a um lado por causa de outro. Até pode ser verdade. mas os números por si só não significam nada. Fica por saber qual era a necessidade real do investimento, onde é que foram efectivamente usados, e quanto é que se perdeu pelo caminho.

Dilma Rousseff

Dilma Rousseff em discurso antes do Mundial

Mas essa nem sequer é a questão. A questão é que é vendido à opinião pública que um evento destes se paga por si próprio. E isso está por provar porque, até agora, assiste-se ao contrário.

A FIFA atribui a organização de um evento a um país, mas atribui também uma folha de encargos. A FIFA lucra, principalmente com os suportes publicitários que ganham os exclusivos, mais as vendas de merchandising e autorizações e imagens para as televisões de todo o Mundo, reparte pelas federações prémios bastante elevados (o que tem permitido a Portugal, por exemplo, poder negociar os prémios de jogo sem que as verbas venham do Orçamento Geral do Estado), mas o resto, o resto cabe ao país organizador e às organizações e entidades responsáveis.

Uma das grandes críticas que se ouve no Brasil em relação ao Mundial, tem a ver com os atrasos registados nas obras, o que levou ao aumento dos encargos, na maior parte dos casos com dinheiros públicos, e não deu tempo para que a população absorvesse as obras, as estruturas e os eventuais benefícios de que pudesse vir a beneficiar. E depois, avançam as dúvidas das utilidades das infraestruturas que ficam, que requererem encargos de manutenção para não se degradar e que mesmo assim, daqui a alguns anos estão desactualizados. A FIFA altera todos os anos as suas obrigações, o que até se percebe, perseguindo a perfeição e anulando o que não funcionou ou o fez deficientemente. Veja-se o caso do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, Portugal, construído para o Europeu de 2004 da UEFA, sobre-dimensionado para a região, que ainda não está pago, longe disso, e que não serve as necessidades da população. Foi construído porque era uma mais valia, trazia dinheiro para a cidade, e colocava-a no mapa e, à distância de 10 anos, o que fica é que o estádio é um sorvedoro de dinheiro que só serve como arma de arremesso política.

E o que Dilma, e o grosso dos políticos que aprova estes eventos e os seus eventuais encargos, é que estes acontecimentos arrastam multidões e isso se traduz em desenvolvimento económico e social. É claro que entra muito dinheiro na economia real, nos hotéis, na restauração, nos serviços, nas companhias de aviação, nas agências de viagem. Mas, e o que fica para pagar de investimento público? O que fica por pagar e que vai hipotecar o futuro? Porque é que o que fica para pagar nunca entra nas contas de quem as mostra ao público que paga?

Há sempre muita demagogia nestas grandes obras. Dilma Rousseff afirma que os Estádios servirão para outras coisas que não só o futebol. Somos remetidos para o Europeu 2004, de novo, e perguntamos: mas que outros eventos? Tirando um ou outro concerto, para que raio é que servem os estádios de futebol senão para futebol?

Bom, mas por agora, as obras chegaram ao fim, o Brasil está pronto para começar, amanhã, o Campeonato do Mundo de 2014, que tem ambições de ganhar, e todo o povo vai gritar pela sua selecção e no fim irá ficar uma conta que alguém, no futuro, terá de pagar. Mas não será a FIFA.

Bom jogo!

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