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O adeus de uma Celeste sem dentes afiados

E ontem foi o dia em que começaram os jogos a doer. Como dizia o antigo seleccionador português, campeão do Mundo e actual seleccionador brasileiro, são os jogos mata-mata.

E mata porque agora não há prisioneiros. Não há segundas oportunidades. Aqui, agora, ou ganha-se ou perde-se. É o tudo ou nada. É a glória ou o degredo.

E começou ontem pela América do Sul. Um sorteio que colocou 4 equipas sul-americanas em confronto. Certeza que 2 iriam continuar em prova. Mas certeza também que outras duas iriam ficar pelo caminho.

Sobreviveram a Selecção do Brasil, num grande jogo, mas onde teve muita sorte e muito Júlio César, e em que se comprovou, mais uma vez, que o Brasil está muito devedor de Neymar, e a Selecção da Colômbia, que também fez um grande jogo e ganhou sem dúvidas nem hinos sobrenaturais de apelos à sorte.

Destas duas vitórias, pode constatar-se já isto: o Brasil ainda não começou a jogar, se é que o vai fazer. Parece uma equipa perra, sem grandes soluções quando encontra equipas aguerridas e que sabem sofrer do outro lado. Neymar tem sido o salvador da pátria. Nesta momento, ele é a selecção brasileira. Se ele faltar…

Outra coisa que se pode também constatar é que a Colômbia é uma grande candidata ao título. E nem nós temos medo das palavras, nem eles têm medo dos adversários. Temos aqui uma selecção cheia de grandes jogadores que sabem jogar pelo colectivo, não se deslumbrando com o brilho das lantejoulas, correndo, antes, atrás de um objectivo comum. E o jogo de ontem, com a Selecção do Uruguai, demonstrou isso.

Mas para sobreviverem o Brasil e a Colômbia, duas selecções tiveram de ficar já de fora. E foram a Selecção do Chile e o Uruguai.

Temos de o dizer: a Selecção do Chile não merecia estar a caminho de casa. É claro que correria o escândalo se a equipa organizadora e crónica candidata ao título fosse eliminada, mas se justiça houvesse, o Chile não poderia ser eliminado. Não por aquele Brasil, sombra de si próprio. E não deixa de ser sempre muito triste, perder na marcação de grandes penalidades para os quais o Brasil correu. Mas é assim o futebol.

Uruguai

O Uruguai foi incapaz de parar a Colômbia

Quanto ao Uruguai. Bom, quem mais terá ficado contente com o seu afastamento terá sido, sem dúvida, o próprio Brasil, com medo de novo Maracanaço. Relembre-se que, da última vez que o Brasil organizou um Campeonato do Mundo, estávamos em 1950, e o Brasil e o Uruguai chegaram os dois à final no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Estádio cheio, consta que com 200.000 espectadores, todos, ou quase todos brasileiros, à espera da festa, do samba, do Carnaval fora de época que afinal não veio. O que veio foi uma milonga, a bela balada gaúcha que se ouve no pampas uruguaio. A selecção celeste teve a ousadia de vencer em pleno coração brasileiro, a equipa da casa por 2 a 1. E o Brasil entrou em depressão. E houve estudos, ensaios, análises, teses de doutoramento à volta da derrota brasileira em casa pelos vizinhos uruguaios e das consequências que essa derrota teve na vida dos brasileiros. Ora, hoje, isso já não poderá acontecer. Pode acontecer outra coisa parecida, e como o Brasil está, até é bem possível. Mas não com o Uruguai. Não um novo Maracanaço. É que o Uruguai já foi mandada para casa pelo futebol total da selecção colombiana.

E pergunta-se: será que fez aqui falta Luiz Suárez?

É claro que sim, que o ataque uruguaio ficou muito mais macio. Mas lamentar-se a ausência de Luiz Suárez é como lamentar a ausência de Falcao, de Franck Ribéry e a lesão de Cristiano Ronaldo. É assim que as coisas são e é assim que temos de atacar o adversário. Afinal, e voltamos ao início do texto, estamos perante um jogo de mata-mata. E quem não mata, é morto. E foi o que aconteceu com a Celeste perante o futebol bonito, completo e majestoso dos colombianos.

O Uruguai é sempre uma equipa forte, presente, disposta a tudo, a dar tudo por tudo, mas ontem, não tinham mais nada para dar perante aquela Colômbia. Como disse Álvaro Pereira, “neste grupo não há um único jogador que não tenha dado a vida por esta camisola. Essa é a mensagem a ser deixada aos que virão.” A  consciência que aquele jogo não poderia ter outro resultado. Os uruguaios saíram de cabeça erguida porque tudo fizeram, mas não conseguiram porque, do outro lado, estava um possível futuro campeão. E Edison Cavani, vai pelo mesmo diapasão: “é claro que estamos tristes pela eliminação. A derrota dói, mas o orgulho vem da tranquilidade de termos dado o nosso melhor”, e continua, “sabíamos que a Colômbia era uma grande selecção, e foi o que provou hoje. Não é à toa que está entre os oito melhores. Embora estivéssemos a fazer um bom trabalho e eles estivessem controlados, o primeiro golo mudou a partida.” E Álvaro Pereira concorda: “sabíamos que eles tinham um bom controle de bola, por isso tentámos pressionar na frente de ataque. Estávamos a fazer isso muito bem até que veio aquele golaço. E aí tudo mudou. Na sequência do golo, saímos à procura de mudar o resultado, mas o segundo golo foi um balde de água fria.”

A Celeste voltou para o Uruguai. Foi eliminada no Estádio do Maracanã. Mas não foi eliminada por uma equipa qualquer. Abram alas à Colômbia, que eles não sabem como hão-de parar.

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