Última Hora

• Nenhum artigo encontrado
Estádio Itaquerão, São Paulo

O Campeonato do Mundo em (des)Construção

A pouco menos de cinco meses do início do Campeonato do Mundo do Brasil, os atrasos, os desvios orçamentais e a controvérsia estão na ordem do dia no país do samba.

Há atrasos em 6 dos 12 estádios a ser utilizados no torneio. Ou seja, só estão prontos os estádios que foram utilizados na Taça das Confederações em Junho passado.

A estes atrasos há que juntar os desvios orçamentais que já elevaram os custos com a organização deste Mundial para valores estratosféricos. Se se pensar que a Alemanha gastou 1100 milhões de euros na construção e remodelação de 12 estádios para o Campeonato do Mundo de 2006, e a África do Sul gastou 1000 milhões na construção e remodelação de 10 estádios para o Campeonato do Mundo de 2010 e, quatro anos mais tarde, os custos que o Brasil já leva com a construção e remodelação de 12 estádios ultrapassa os 2500 milhões de euros, depressa se percebe que “algo está podre no reino da Dinamarca”.

Já este ano, o presidente da FIFFA, Joseph Blatter, em entrevista à imprensa suíça, veio dizer que nunca, enquanto presidente da organização, assistiu a um tão grande atraso nas obras para a organização de um Campeonato do Mundo, ainda por cima, por parte de um país que foi o que teve mais tempo para o fazer. É claro que, entretanto, Blatter já veio pedir desculpas por ter dito o que disse e que não pretendia dizer – o que também já se tornou uma banalidade -, e já fez as pazes com a presidente brasileira, Dilma Rousseff, que tem estado presente em todas as inaugurações e quer continuar a estar presente nas inaugurações que ainda faltam fazer.

Nas vésperas da Taça das Confederações, e aproveitando como motivo-rastilho o aumento do preço dos transportes públicos, o Brasil assistiu a um levantamento popular que entretanto começou a colocar em causa o Campeonato do Mundo e os valores gastos com o evento, alegando que os desvios orçamentais são mais que muitos, levantando suspeitas de corrupção e aproveitamento de dinheiros públicos num país que, segundo as manifestações, precisava era de escolas, hospitais e melhores transportes públicos.

Os Atrasos

Arena Castelão, Fortaleza

O Arena Castelão, em Fortaleza, foi um dos dois estádios inaugurados na data prevista, Dezembro de 2012, para receber a Taça das Confederações.

Numa manifestação que já é cultural, o Brasil está atrasado nos preparativos para o Campeonato do Mundo de Futebol. Nada de muito grave se pensarmos, de uma maneira muito portuguesa, que “até ao lavar dos cestos é vindima”. Ou seja, ainda estamos a mais de quatro meses do início do Mundial. Como é óbvio, tudo estará pronto para o pontapé de saída, mas até lá, muita gente vai roer as unhas com os nervos pela possibilidade, real, de se falhar as datas.

Dos 12 estádios inicialmente projectados para o Campeonato do Mundo, 6 deles teriam de estar prontos em Dezembro de 2012 para se poder projectar a Taça das Confederações. Pois, desses 6 estádios, 2 deles estavam realmente prontos na data prevista, Dezembro de 2012: o Arena Castelão, em Fortaleza e o Mineirão em Belo Horizonte. Outros 2 estádios ficaram prontos em Abril de 2013, ou seja, a dois meses do início da Taça das Confederações: o Arena Fonte Nova, em Salvador e o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Os outros dois estádios previstos para a Taça das Confederações só ficaram prontos a menos de 30 dias do início do torneio: o Estádio Mané Garrincha, em Brasília e o Arena Pernambuco, em Recife.

Mais de seis meses depois da Taça das Confederações e da entrega dos primeiros 6 estádios, os outros 6 restantes ainda não estão prontos, sendo que todos estes últimos 6 deveriam ter sido entregues em Dezembro de 2013, ou seja, no mês passado. E como é que as coisas estão? Pois bem, nada brilhantes. O Arena das Dunas, em Natal, é o único que está praticamente terminado e cuja data de inauguração está, agora, agendada para o dia 22 de Janeiro. Também o Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, que garante estar 97% terminado, tem, também, já agendada a inauguração para o dia 29 de Janeiro com o jogo entre o Internacional e o São Paulo. E estes são os 2 estádios cuja inauguração tem datas concretas e se encontram mesmo já em fase de finalizações.

Outro 2 estádios, que garantem estar quase com 90% das suas obras concluídas, pensam poder fazer as inaugurações durante o mês de Fevereiro (e é uma dúvida persistente se se pensar que Fevereiro é o mês do Carnaval). São o Arena da Baixada, em Curitiba e o Arena Pantanal, em Cuiabá, que, por sinal, foi o estádio que começou as obras à mais tempo, em Abril de 2010, indo fazer já quase quatro anos desde que começaram.

Os 2 últimos estádios são os que se afiguram mais complicados. O Estádio do Itaquerão, em São Paulo, onde caiu um guindaste em Novembro último, tendo destruído uma parte da cobertura, aponta a data de 15 de Abril, a pouco menos de 2 meses do início do campeonato do Mundo, para o final das obras e inauguração. Mas o Arena Amazónia, em Manaus, não tem, neste momento, uma data prevista para a conclusão das obras, para a entrega do estádio ou para a inauguração. Espera-se, contudo, que esteja pronto a tempo de ser utilizado no Mundial.

Os Custos

Estádio Mané Garrincha, Brasília

O Estádio Mané Garrincha, em Brasiília, é, até à data, a obra mais cara. Com uma previsão de custo de cerca de 190 milhões de euros, já atingiu os 450 milhões de euros.

Os custos projectados e o que realmente se gasta são já uma banalidade, que não o deveria ser. No Brasil como em Portugal, o custo final é sempre muito acima do inicialmente projectado. Há incompetência na projecção, ou desvios no trajecto? A verdade é que, dos cerca de 800 milhões de euros inicialmente previstos para a remodelação e construção dos 12 estádios que vão servir o Campeonato do Mundo de Futebol em 2014, no Brasil, já se chegou a uma verba que ronda os 2500 milhões de euros, cerca de três vezes mais.

Os casos mais evidentes de desvio de custos são o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, que tinha uma projecção de cerca de 190 milhões de euros, o estádio com o maior orçamento previsto, e que já atingiu os 450 milhões, o que constitui um recorde, e o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que já tinha sido alvo de duas intervenções em poucos anos – em 2000 e 2007, no âmbito do Mundial de Clubes e dos Jogos Panamericanos -, com um orçamento inicial de pouco mais de 150 milhões de euros e que já vai nos 300 milhões. É caso para dizer, haja dinheiro.

É certo que muito do aumento dos orçamentos iniciais tem a ver com o facto de as obras estarem atrasadas e ser preciso recorrer a mais empresas e mais mão-de-obra e pagar horas extras, mas não iliba o erro da projecção. Os custos, de facto, dispararam. E não são os custos finais, que esses só se virão a saber muito depois de ter terminado o Campeonato do Mundo. E se se pensar no esforço que terá de se fazer nesta recta final para estar tudo pronto a tempo, de certo que os custos reais ainda irão disparar mais.

As Controvérsias

Manifestações Brasil

O gigante acordou e, nas vésperas da Taça das Confederações, o Brasil saiu à rua, manifestando-se contra os enormes gastos na organização do Campeonato do Mundo.

Lá diz o povo que “depressa e bem, não há quem”. E o povo sabe. E o que se tem passado nesta recta final de conclusão das obras de requalificação ou construção dos estádios para o Mundial de 2014 é disso bom exemplo. Com a pressa vem o desleixe.

Em Novembro, uma grua que estava no exterior do Estádio do Itaquerão, em São Paulo, tombou sobre uma pala de cobertura do estádio, deitando-a abaixo e vitimando duas pessoas. Em Dezembro, no Arena Amazónia, em Manaus, um operário que estava a trabalhar de madrugada, caiu de uma altura de 35 metros e não resistiu à queda. Mas já em Maio, no mesmo estádio, outro operário tinha perdido a vida também devido a uma queda. Ao todo, já vai em cinco, o número de mortes relacionadas com as obras dos estádios para o Mundial.

A FIFA já veio entretanto afirmar que não existe um problema de segurança e que tudo está a ser feito segundo todas as normas internacionais de segurança. Mas o facto é que já há muitas vozes a criticar a FIFA por não acompanhar de perto as obras, tendo-se limitado a receber relatórios e fazer visitas de tempos a tempos.

Estes acidentes e um certo desleixe que parece existir por parte das autoridades também foi um factor a juntar às críticas que se têm feito ouvir no Brasil contra a realização do Campeonato do Mundo sendo que, o factor custo tem sido o maior aglutinador de descontentamento.

Numa altura em que o Brasil parece ser capaz de dar o salto económica e socialmente, em que a classe média está bem forte, em que o país não sente tão forte a crise Mundial como os outros países, a população também se torna mais exigente e pede aos seus governantes que tenham noção das prioridades e que as necessidades são mais escolas, mais hospitais e melhores transportes públicos. Por mais que o futebol seja popular no Brasil, e é-o, a população brasileira não é acéfala. Gosta de futebol, como de samba, como de um chop. Mas chegou a altura de ser um país para os brasileiros, e não só um país para os turistas visitarem.

No entanto, e à margem de todas estas controvérsias, o ministro do Desporto brasileiro, Aldo Rebelo, já veio garantir que os atrasos não são significativos e que tudo estará pronto para receber o Campeonato do Mundo de 2014 nas suas datas marcadas. Vamos a ver se o povo é da mesma opinião. Sixty continued students were referred to adult education or ged programs

Outros Artigos Recomendados

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *