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Thiago Silva Brasil

O Escrete no divã

Por estes dias, a notícia é que a seleção brasileira está recebendo apoio psicológico. O tom dado é sensacionalista, como se esse acompanhamento não fosse prática comum. Os jogadores brasileiros não estão à beira de uma crise de nervos, é precisamente para evitar chegar aí que a Dra. Regina Brandão entra em campo.

Dra. Regina sempre em contacto

A situação não tem nada de novo. Pelo menos desde a sua primeira passagem pelo comando da Canarinha que Luiz Felipe Scolari é conhecido por recorrer a psicólogos, primeiro para o ajudar a conhecer melhor as pessoas com quem trabalhar, identificar aquilo a que tem de estar atento na personalidade de cada um, e depois para gerir a pressão e os sentimentos que afloram nas concentrações e grandes torneios. Foi assim no Brasil, foi assim em Portugal também. Portanto, tratar a recente visita da Dra. Regina a Teresópolis como se se tratasse de uma intervenção de emergência, motivada pela reação emotiva de alguns jogadores no momento dos penáltis contra o Chile, é alarmismo. A psicóloga, que é também docente universitária, tentou, em entrevista, acalmar as hostes. Essa visita já estava agendada, partindo do princípio que o Brasil estaria ainda em prova nesta altura do campeonato. E adiantou ainda que, mesmo à distância, mantém contactos regulares com o plantel. Felizmente, as novas tecnologias vieram ajudar muito nesse aspeto. Por email, WhatsApp, este é um trabalho continuado, não de situações pontuais.

Lidar com a pressão

Claro que o lado emocional causa algumas preocupações. As reações do capitão Thiago Silva e de Júlio César, visivelmente emocionados mesmo antes da marcação das grandes penalidades chamaram a atenção. Essas coisas são normais, é normal que, sobretudo os latinos, tenham as emoções mais à flor da pele e até que se agarrem à sua fé ou superstições. Ainda por cima os jogadores brasileiros, que sofrem essa pressão extra – íntima e da torcida – de “terem obrigatoriamente” que vencer esta Copa jogada em casa. Isso pesa, pesa muito, mas cada caso é diferente. Há atletas que até gostam disso, para quem a pressão é mais um estímulo. Outros sofrem, claro. Mas como qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre fenómenos psicológicos, não são os “chorões” que dão maiores dores de cabeça. Esses, de uma maneira ou outra, encontraram mecanismos de descompressão, que os ajudam a lidar e regular a intensidade das emoções. Os que guardam tudo, que recalcam, é que podem vir a ter problemas mais sérios. Em algum momento a angústia, frustração ou medo de falhar terão que vir ao de cima, e a explosão pode causar maiores estragos.

Neymar, David Luiz, Thiago Silva e Júlio César todos tiveram momentos de descarga no relvado. Um ao ouvir o hino, outro ao marcar pela primeira vez com a camisola da Canarinha, os dois últimos nos oitavos frente ao Chile. E têm sido também, quase unanimemente, considerados os melhores em campo nas partidas que a seleção brasileira já teve. Nesses casos, manifestar as emoções ajudou a aliviar e eles continuaram a ser decisivos para o grupo.

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