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Brasil

O Mundial do nosso (des)contentamento

Este Mundial está a ser um grande Mundial.

Este Mundial é bom e é mau. Aliás, é fantástico e terrível.

Este Campeonato do Mundo do Brasil conseguiu ser o que poucos acreditavam ser possível. Os estádios estiveram prontos, com os acessos a funcionar, melhor nuns sítios que noutros, mas a funcionar. Continuaram as manifestações a favor de um país padrão-FIFA, mas sem grandes arruaças que inviabilizassem o evento. Os grandes jogadores, com algumas, poucas, excepções, chegaram em forma ao torneio. Houve vários grandes jogos e, para alegria de muitos, com equipas improváveis. Houve surpresas. Boas e Más. Houve também muito calor e jogos com paragens a meio para refrescar, o que alguns seleccionadores agradeceram em nome das tácticas. E, depois, houve Portugal.

Poucos dias antes do início do Campeonato do Mundo, a imprensa mundial dava eco dos atrasos em muitas das obras para o evento, nomeadamente em estádios e áreas envolventes. Bom, algumas das obras podem ter ficado para as calendas, mas o que ficou feito tem funcionado e não tem havido notícias de grandes problemas com os palcos dos eventos. Nem no Arena Amazónia, em Manaus, o local mais remoto para onde tiveram de ir de barco, subindo o rio Amazonas, enormes estruturas feitas em Portugal, nem no Arena São Paulo, vulgo Estádio do Itaqueirão, em São Paulo, o estádio mais atrasado e palco da abertura do torneio. Tudo funcionou. É verdade que houve alguns atrasos. É verdade que houve obras que não chegaram ao fim. É verdade que a maior parte dos orçamentos derraparam e que quem os irá pagar é o povo, mas o Campeonato do Mundo começou na data prevista e todos os jogos ocorreram sem grandes problemas, para além dos óbvios de temperatura e humidade (esperem pelo Qatar!).

As grandes manifestações de há um ano, durante a Taça das Confederações, e as que foram sendo lançadas, faziam prever um arranque terrível para o Campeonato do Mundo, rodeado de inúmeras manifestações de boicote ao grande evento mundial de futebol. Não pelo evento em si, mas pelo que traz (ou não!) aos países organizadores. No Brasil, a população chegou à conclusão que os milhões de reais gastos em infra-estruturas e acessos e beneficiações de áreas envolventes e restauração e hotelaria e etc., não compensavam o vazio que daí adviria. É, de resto, umas contas que se irão fazer à posteriori, mas que se adivinham já catastróficas. Há estádios sobre-dimensionados para as regiões que pretendem cobrir. Um dos que maior contestação teve foi o Arena Amazónia, em Manaus, que ninguém sabe para que é que servirá pois o futebol da região não move multidões, nem se prevê que venha a mover. E o povo, o povo manifestou-se. Manifestou-se contra os astronómicos gastos em obras que, na melhor das hipóteses vão beneficiar alguns clubes de algumas cidades. Mas o povo, que tanto ouviu falar de padrão-FIFA para a organização exemplar do torneio, achou que também deveria exigir aos seus representantes, um país padrão-FIFA, com escolas padrão-FIFA, com hospitais padrão-FIFA e com meios de transporte padrão-FIFA. Mas ao mesmo tempo, acabaram por ter o bom-senso de deixar acontecer o Mundial, deixar a Canarinho fazer o seu papel, poderem, eventualmente, gritar “Campeões!” no final do evento, e depois sim, voltar a sair para a rua, a exigir o que acham que devem exigir, depois de permitir que os políticos tivessem feito boa figura. É verdade que tem havido algumas manifestações, algumas escaramuças, mas nada de muito grave. Vamos então a ver quando o Mundial acabar.

Houve Equipas e Craques e Estrelas

Neymar

Neymar tem sido uma estrela e tem carregado a selecção brasileira às costas

Também se temia que os grandes craques, aqueles que arrastam as grandes multidões, chegassem lesionados (Franck Ribéry), em baixa de forma (Cristiano Ronaldo), desgastados (Andrés Iniesta) ou não chegassem de todo (Zlatan Ibrahimović). Mas se é verdade que algumas dessas coisas aconteceram, também é verdade que houve outros que chegaram intactos, outros que despontaram aqui, e outros que aqui nasceram e outros ainda que nasceram e morreram neste Mundial. E ainda há os que aqui vieram dar o seu canto do cisne. E há nomes para tudo: Lionel Messi, Thomas Muller, André Schurrle, Asamoah Gyan, Tim Howard, Neymar, Júlio César, Guillermo Ochoa, Giovani dos Santos, Oribe Peralta, Ivan Rakitic, Arjen Robben, Robin Van Persie, Claudio Bravo, Gary Medel, Charles Aranguiz, Alexis Sánchez, Tim Cahill, David Ospina, James Rodríguez, Juan Quintero, Teófilo Gutiérrez, Serge Aurier, Edinson Cavani, Keylor Navas, Joel Campbell, Xherdan Shaqiri, Enner Valencia, Paul Pogba, Karim Benzema, Antoine Griezmann, Marcos Rojo, Angel di Maria, Alireza Hahighi, Victor Moses, Peter Odemwingie, Marouane Fellaini, Axel Witsel, Eden Hazard, Rafik Halliche e Islam Slimani, entre muitos outros, e também as selecções do Chile, da Colômbia, da Costa Rica, da Argélia. Mas também houve as decepções, que foram muitas e grandes. E se houve jogadores que passaram ao lado do Mundial, também houve equipas inteiras para quem este Campeonato do Mundo foi aziago: Portugal, Camarões, Espanha, Inglaterra, Itália, Bósnia Herzegovina e a Rússia, mas também para os jogadores Iker Casillas, Diego Costa, Konstantinos Mitroglou, Luis Suárez, El Chicharito, Wayne Rooney, Mário Balotelli, Antonio Valencia, Pepe e Cristiano Ronaldo.

E os jogos. Houve jogos que foram autênticos bailados. Outros que pareciam peças requintadas de teatro. Ainda vamos nos oitavos-de-final, mas já se pode apontar os jogos Espanha-Holanda, Uruguai-Costa Rica, Brasil-México, Austrália-Holanda, Espanha-Chile, Suíça-França, Alemanha-Gana, Nigéria-Argentina, Brasil-Chile, Colômbia-Uruguai, Holanda-México e o Alemanha-Argélia. Alguns destes jogos foram históricos. Alguns destes jogos fizeram história e ficarão nela. Alguns destes jogos serão lembrados no futuro.

Mas o que também será lembrado no futuro serão os jogos em Manaus. Quente e húmido. Os árbitro a pararem os jogos para os jogadores se poderem refrescar. E o desgaste. Rápido. Cansativo. Com fissuras nos jogos. O futebol nunca poderá ser grande com estas condições. De parabéns estão todos os jogadores que sobreviveram a estas condições e ainda conseguiram fazer aquilo que esperavam deles: jogar futebol. Claro que houve treinadores que aproveitaram estas paragens para inverter o sentido do jogo, para alterar tácticas, para resolver problemas. Estes foram os seleccionadores inteligentes que aproveitaram as ferramentas que lhes deram para as mãos.

E Houve Portugal

Portugal

Portugal esteve muito quezilento e uma sombra de si próprio

E depois de tudo isto, do bom e do mau, do que aconteceu e do que está para acontecer, das surpresas boas e más, houve Portugal. Um Portugal desconhecido, ou não, se nos lembrarmos da Coreia do Sul, ou de Saltillo. Mau demais para ser verdade. Uma equipa presa por arames. Uma equipa com uma parte importante dos jogadores lesionados. Um treinador que joga com os lesionados e deixa os outros, que escolheu levar, no banco. Uma equipa e um treinador arrogantes. Uma equipa que pede o apoio de um povo e depois lhes cospe razões e motivos. Mas isso é matéria para um artigo próprio. A tristeza de Portugal é grande demais para estar metida no meio de outras tristezas e muitas alegrias às quais são alheios.

Numa altura em que ainda se jogam os oitavos-de-final, é de crer que ainda saltem aos olhos do público alguns outros jogadores que possam ainda estar escondidos, em trabalho de grupo, a carregar pianos. Também, e numa altura em que as equipas de contenção começaram a ir embora, e que o futebol espectáculo começou a ganhar espaço e visibilidade, é de se esperar mais e grandes jogos.

Para quem não puder acompanhar os jogos no local, em directo num estádio ou arena, brasileiros, veja-os numa televisão perto de si. É que este Campeonato do Mundo já cumpriu as expectativas e está a começar a suplantá-las.

(abrir um pequeno parentsis para dizer que, o descontentamento com a selecção portuguesa não pode desmotivar o contentamento com o Mundial do Brasil. O mal de uns é a alegria de outros. Se uns não estiveram à altura, houve outros que a ultrapassaram. E esses merecem ser vistos, e apreciados, e que lhes batamos palmas)

Klein, left that post to work as a senior adviser to mayor inspect over here bloomberg’s campaign

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