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Vista Aéria do Rio

O Rio de Janeiro no Olhar Deles

Com o aproximar dos grandes eventos desportivos que irão ter lugar no Brasil – Campeonato do Mundo de Futebol, em 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016 -, começam a aparecer livros e revistas e albuns que tentam vender imagens, ideias e modos de vida aos potenciais turistas que os eventos podem arrastar consigo. Vender marcas, ideias, sonhos próximos do paraíso e do exotismo tornou-se uma prioridade. Mas algumas destas propostas extravasam o âmbito em que foram criadas. E o que poderia, eventualmente, ser um sonho, é a mais pura realidade.

Uma destas boas propostas é o album Show Me Rio, do que será, muito provavelmente, uma boa colecção intitulada Show Me e que se irá debruçar sobre cidades brasileiras tendo, como ponto de partida, o olhar de quem as habita. Claro que não são só os olhares dos anónimos cidadãos (também o são), mas dos agentes culturais e artistas e desportistas e políticos que depuram a cidade através de uma predisposição para a beleza e usufruto do que melhor a cidade tem para oferecer.

Show Me Rio“Há Cidades Acesas na Distância…”

Neste Show Me Rio, que se abre com uma citação da portuguesíssima Sophia de Mello Breyner Andresen “Há cidades acesas na distância, Magnéticas e fundas como luas”, a Cidade Maravilhosa é revelada por artistas como Chico Buarque, Vik Muniz, Maitê Proença ou Wagner Love que são, eles também, e muito, cariocas. Como se diz na introdução “Há cidades que não podem ser apresentadas sem as suas pessoas. [...] Há cidades que precisam de ser conhecidas pelo sotaque da sua gente, pelas suas formas, pela sua atitude.” O carioca adora a praia, adora dançar, adora ouvir música. O carioca é despreocupado e vive a vida pelo seu lado mais feliz, não levando nada muito a sério. E isto é o Rio de Janeiro. Uma cidade como nenhuma outra.

Encerrada entre as suaves ondas do Atlântico e a muralha de morros, este é o Rio de Janeiro do glamour, das gentes correndo no calçadão de Copacabana, Ipanema ou Leblon. A passerelle urbana que é a Zona Sul. Claro que o Rio não é só a Zona Sul. Mas é muito esta parte da cidade. Todo o Rio corre no calçadão, de manhã à noite. Mas não é uma cidade acelerada, muito antes pelo contrário. O Rio é a contemplação, o sonho, o belo, o vôo de asa-delta, o menino-do-Rio, a Bossa Nova, o Samba…

Entre a Feijoada e o Chopp

Mas o Rio também é a sua gastronomia. A feijoada e o picadinho de carne. O chopp que acompanha tudo a qualquer hora. Seja num botequim ou num botecão pé-sujo (que não está relacionado com higiene). São as 30 espécies de manga. E a couve mineira: “Mulher, depois de salgar / Faça um bom refogado, / Que é pra engrossar. / Aproveite a gordura da frigideira / Pra melhor temperar a couve mineira”, canta Chico Buarque. Mas é também a cidade do cozido à portuguesa, do risotto, do filet e do bacalhau. Do balcão onde se perde o estrato social. E se discute a bola. Que se joga em qualquer lado e, à falta de bola, se joga com qualquer outra coisa que rebole e faça magia, à sombra do Maracanã (só como ideia!): na praia, na rua, na encosta de um morro. O carioca é Samba e bola. E que tal uma escapadinha até ao Café Colombo?

As Favelas Também Têm Glamour

Mas o Rio também é as suas favelas. De lugar de pobre a centro de bandidagem e a local turístico. O oito e o oitenta. Não é vender o feio e o perigo (também há turismo de guerra!). Não! É também o Rio de Janeiro. As suas favelas também lhe marcam o imaginário. E, provavelmente, as melhores vistas de toda a cidade. Em 700 favelas vivem cerca de milhão e meio de pessoas. É impossível isto não ser também a cidade. Uma cidade também cheia dos seus misticismos, “Não [temos medo de apanhar doenças] porque eu e a minha filha somos da Igreja Evangélica e o divino nos protege de tudo.”

Não Há Carnaval como o do Rio

De tudo o que o Rio de Janeiro tem, e que o livro mostra, o topo da festa é o Carnaval: “Esquece o amanhã, o importante é o Carnaval.” E não há Carnaval como o do Rio. O glamour, as cores, os fatos, a música, os corpos que bailam e dançam e transpiram, os corpos que imaginam tudo, que dão tudo à imaginação e ao impossível tornado possível, gordos, magros, altos e baixos oferecem o sexo nas suas danças. Ali tudo é sexo, mesmo quando não o quer ser. O corpo que ginga ao som do batuque, mesmo que com umas havaianas nas pés. Os pés que descem as ruas das favelas e calcorreiam o calçadão. As havaianas são democráticas. Calçam os pés de todas as gentes.

Centro do RioA noite perde-se na Lapa. Antigo bairro de prostituição, está em galopante recuperação. É o local da noite por excelência. Os bares, as boites, os cafés, as discotecas, a música – muito mpb, muito hip hop – paira sobre tudo e sobre todos. É claro que é preciso cuidado. Mas não é assim em todo o lado?

O livro termina com um excelente guia onde comer (lá, onde os próprios cariocas se alimentam), os botequins, os restaurantes, as casas da feijoada e onde ficar, os hotéis e as pousadas, os locais de animação nocturna, lounges e com música ao vivo, programada ou improvisada, as lojas, as feiras e mercados, as galerias, as livrarias, os sebos (livros em segunda mão), os centros culturais e miradouros. Tudo muito bem ilustrado.

Show Me Rio é imperdível para quem quiser ir ao Rio de Janeiro e aproveitar a verdadeira Cidade Maravilhosa. Mas também para quem não vai, é uma boa maneira de imaginar como seria bom lá ir.

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