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Autocarro das Selecções

Os Lemas das Selecções

A um mês de distância do início do Campeonato do Mundo de Futebol, há países que ainda não escolheram os jogadores para representarem as respectivas selecções, e outros que vão alimentando grupos de pré-convocados à espera do milagre da selecção natural, a-na-ni-a-na-não-ficas-tu-e -eu-não.

No entanto, os lemas que vão guiar os espíritos de cada selecção, esses já estão escolhidos e começam, aos poucos, a ser divulgados.

Por cá, a selecção portuguesa leva ao Brasil o lema: O Passado É História, o Futuro É Vitória. Bom, é um lema que começa com uma verdade, que o passado é mesmo história, coisa que a Selecção de Portugal tem, e termina com uma esperança, que o futuro seja de vitória. Que assim seja.

Já a selecção da casa, a brasileira, espera o resto do Mundo com o lema: Preparem-se! O Hexa Está Chegando! Não é que tal não seja possível, tendo em conta que, no futebol, Deus é brasileiro, sendo bem possível uma nova vitória da Selecção do Brasil, mas não deixa de ser um pouco snob achar-se melhor que os outros, que não estarão no Mundial para lhe facilitar a vida. Mas como se diz, entradas de leão, saídas de sendeiro.

Os actuais campeões do Mundo, os espanhóis, fazem propaganda em causa própria: No Nosso Coração, a Paixão de um Campeão. Mais uma vez, tal é verdadeiro, pois a Selecção de Espanha é a detentora do título de campeã do Mundo. E que no coração dos espanhóis resida a paixão pelos campeões, é algo que só os próprios poderão afirmar. Mas acredita-se que sim.

A selecção alemã parece ter roubado o lema sul-africano dos tempos do apartheid, Uma Nação, um Homem, um Voto. Os alemães vão ao Brasil com o lema: Uma Nação, um País, um Sonho! Aqui não há muito a dizer. A Alemanha é uma nação, é um país e, provavelmente, partilha o mesmo sonho. Presumindo que o sonho seja ser campeão, a Selecção da Alemanha agarra-se à máxima o-futebol-são-onze-jogadores-para-cada-lado-e-no-final-ganham-os-alemães. Talvez os outros povos tenham perdido o respeitinho pelos alemães.

Os franceses, muitas vezes acusados de chauvinismo, vão para o Brasil com o lema: Impossível Não É uma Palavra Francesa. Como a história não tem sido muito amiga da Selecção de França (ou se calhar até tem sido amiga demais!) é uma frase que deixa os vizinhos com um sorriso irónico nos lábios, perguntando-se o que é que o franceses quererão dizer com aquilo, e se Michel Platini terá alguma coisa a ver com a afirmação. Afinal, para um francês, tudo é França.

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Todas estes lemas foram escolhidos para o Brasil

Os belgas, inimigos figadais dos franceses, escolheram o lema: Esperem o Impossível. Slogan roubado ao francesíssimo Maio de ’68, Sejamos Realista, Exijamos o Impossível, será um lema mais para chatear o vizinho do que para animar a Selecção da Bélgica que, afinal, até vai à fase final do Campeonato do Mundo com uma boa equipa, a sonhar, talvez, com resultados impossíveis.

Os bósnios, aqui a cumprir a sua primeira participação numa fase final de um Campeonato do Mundo, levam ao Mundial o lema: Dragões no Coração, Dragões no Relvado. Para um português, com o trajecto dos dragões no campeonato nacional, será um slogan a não augurar nada de bom, mas percebe-se que a ideia é de luta. Lutar até morrer por um bom resultado no Brasil. A ver vamos. Até porque a Selecção da Bósnia Herzegovina é das selecções de quem se espera boas surpresas.

Os vizinhos croatas levam o lema: Com Fogo nos Nossos Corações, pela Croácia Todos como um Só. O que nos leva a pensar que ali para aqueles lados da ex-Jugoslávia, são só dragões, corações enormes e grandes fogueiras. No fundo são todos guerreiros, acabando até, a Selecção da Croácia, por adaptar o lema do porteguesíssimo Benfica, ou do americaníssimo Estados Unidos: Et Pluribus Unum.

Os gregos levantam-se das cinzas da sua crise com o lema: Jogar como Heróis Gregos. À falta de glórias actuais, lembra-se o passado grego, cheio de heróis e de vitórias. Afinal, foi assim que vieram conquistar o Euro 2004 a Portugal. A Selecção da Grécia, hoje, quer-se helénica.

Dos Países Baixos, chega o mais enigmático dos lemas: Homens a Sério Vestem Laranja. É a selecção holandesa a apelar a um machismo que nem está muito na sua génese. Contudo, o slogan tem o condão de nos remeter para o Carrocel Laranja que encantou o Mundo nos anos ’70. Esta Selecção da Holanda está muito longe desses tempos, mas um dia, quem sabe?

De Inglaterra surge o lema : O Sonho de uma Equipa, o Bater do Coração de Milhões. O apelo a uma nação, ao sonho de uma nação. Como se de umas brumas de Avalon saíssem os Cavaleiros da Távola Redonda, em busca do Santo Graal para o seu Rei Artur. O Sonho e o Coração ficam sempre bem juntos. E a Selecção de Inglaterra bem precisa de algum alento.

Mais provocador é o lema italiano: Vamos Pintar de Azul o Sonho do Mundial. Ser directo e dizer logo ao que vão: ganhar, em pleno Maracanã, o título aos brasileiros. A Selecção de Itália é daquelas selecções que, sem grande alarido, vão fazendo o seu caminho e, no fim, desferem o golpe fatal.

Já o lema da selecção russa reflecte as políticas da Rússia: Ninguém Pode Alcançar-nos. E, de facto, assim é. Os russos, neste momento, parecem querer, poder e mandar, sem que alguém lhes consiga fazer frente. Vamos a ver se no futebol também é assim, e se, de facto, a Selecção da Rússia é inalcançável.

Os suíços, que não são propriamente conhecidos pelo seu humor, escolheram o lema: Última Estação: 13-07-14 Maracaná. Mas está bem. O sonho comanda a vida, mesmo quando se sabe que esse sonho não passa disso mesmo. É verdade que a Selecção da Suíça tem a melhor equipa dos últimos anos, mas dai a chegar ao Maracanã…

Bola

Todas as selecções têm o seu lema

Por outro lado, do outro lado do Mar da Prata, vem uma afirmação: Não Somos uma Equipa, Somos um País. A Selecção da Argentina a apelar a todo um povo, dizendo-se representante de todos os argentinos. Uma crónica possível vencedora.

Do outro lado do mesmo Mar da Prata, colado ao sul do Brasil, o lema dos uruguaios é muito semelhante: Três Milhões de Sonhos… Vamos Uruguai. O apelo da nação, a motivação da Selecção do Uruguai, representante de um povo. Tem feito bons resultados, mas as suas glórias estão lá para trás, no tempo.

Já o vizinho Chile, realista, sabendo ao que vai, faz já a festa, a da ida, porque a chegada, talvez já não seja cantada, daí que o seu lema seja: Chi Chi Chi; Le, Le, Le! Viva o Chile. Há muita falta de imaginação na Selecção do Chile, mas uma alegria imensa na voz do povo.

A Selecção do Equador também deu aso a esse despertar patriótico que tomou conta de uma grande parte da América Latina: Um Compromisso, uma Paixão, um Só Coração! Por Ti, Equador! O apelo a um povo que se una em torno da selecção equatoriana.

E o mesmo se passa com a Selecção da Colômbia, espelhado no seu lema: Aqui Não Viaja uma Equipa, Viaja um País Inteiro. Lá está o apela à nação, à solidariedade, ao Et Pluribus Unum, a que também os croatas apelam. No Brasil, sejam colombianos.

E sobe-se um pouco as américas, até à América Central e, nas Honduras, o lema é mais do mesmo: Somos um Povo, uma Nação, Cinco Estrelas de Coração. A Selecção das Honduras pode não ir muito longe no Campeonato do Mundo, mas há um povo 5 estrelas em torno de uma selecção hondurenha que os orgulha.

Tal como a selecção costa-riquenha: A Minha Paixão É Futebol, a Minha Fortaleza É a Minha Gente, o Meu Orgulho É a Costa Rica. É um lema muito comprido, difícil de decorar, mas que mostra o orgulho da, e na, Selecção da Costa Rica, gente forte que gosta muito do futebol. Vão ao Brasil e divirtam-se.

No México, à falta de melhor, pronto, faz-se apelo à história: Sempre Unidos. Sempre Aztecas! Porque não mexicanos? Se calhar porque isso não representa nada na Selecção do México. Mas são orgulhosamente história.

Já os Estados Unidos sempre a surpreender: Unidos por uma Equipa, Movidos por uma Paixão. Pensávamos que era o baseball, o basketball, até mesmo o futebol americano, essa versão light do rugby, ou o cinema, mas não, a paixão norte-americana é mesmo o futebol, que chamam, sabe-se-lá porquê soccer. E a Selecção dos Estados Unidos quer ir até ao Brasil para o provar. ‘bora lá, então.

Em África não se brinca com coisas sérias. O lema da Selecção da Argélia é: Guerreiros do Deserto no Brasil. E lá vão eles para conquistar qualquer coisa que não seja ficar pela fase de grupos. Que são guerreiros. Do deserto. E não brincam.

Quem também não brinca é a Selecção dos Camarões, com o lema: Um Leão É Sempre um Leão. Não, não são sportinguistas, e também são guerreiros, mas para para porem tudo na ordem, nada melhor que ameaçar com um leão. Com fome, de preferência.

E quem não tem leões, caça com elefantes. Esse é o lema da Selecção da Costa do Marfim: Os Elefantes à Conquista do Brasil. Sabe-se como são grandes e fortes e levam tudo à frente. Nada melhor que um elefante para levar os costa-marfinenses à conquista do Brasil.

Já os ganeses são mais dados à poesia, como afirmam no seu lema: Estrelas Negras: Aqui para Iluminar o Brasil. Não sei como é que a Selecção do Gana pretende iluminar o Brasil com estrelas negras, portanto, na ausência de luz, mas eles lá saberão, na sua sabedoria milenar.

Já a Selecção da Nigéria, a braços com um país em separação, leva como lema: Apenas Juntos Podemos Ganhar. De novo o sonho. O sonho da unidade. Difícil, num país como a Nigéria. Mas que pode ambicionar altos voos no Campeonato do Mundo, também é uma verdade.

Autocarro

Os autocarros serão os principais veículos dos lemas

Os australianos são uns pândegos. Levam como lema: Socceroos: Aos Saltos Rumo à História! Pronto, vão armados em cangurus, à procura do chopinho brasileiro. Porque para a história, a Selecção da Austrália não poderá almejar mais que isso.

No mesmo registo estão os sul-coreanos, sem grandes pressões e com o lema: Divirtam-se, Vermelhos! Ou encarnados, como seria de bom tom, para não levantar questões políticas. A verdade é que o Brasil é um país-continente que apela à diversão. Suponho que a Selecção da Coreia do Sul é a única que sabe realmente o que de melhor pode fazer no Campeonato do Mundo: divertir-se.

A Selecção do Japão puxa também dos galões da honra e leva o lema: Samurai, Chegou a Hora de Lutar. Só se espera que não seja como da última vez que apelaram à honra em nome do imperador. Lutar, mas dentro do campo, com uma bola que se pretende colocar na baliza adversária. Sem banzai. E boa sorte.

Já os iranianos parecem querer despertar fantasmas com o seu lema: Honra da Pérsia. Mas pronto, pode ser que seja só uma forma de despertar o jogador da Selecção do Irão para os grandes desígnios da nação, que tem uma história que se deve respeitar, apesar de tudo.

É claro que os lemas não ganham jogos, mas ajudam as massas a galvanizar-se e a unir-se em torno de objectivos comuns. Há lemas mais apelativos que outros, como há outros que são mais cómicos. Mas no fundo, o que interessa é que comece o jogo. E que ganhe o melhor.

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