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Cristiano Ronaldo Portugal

Pauliceia: Da possibilidade dos milagres

“O milagre era possível”, frase repetida à boca cheia depois do final do Portugal – Gana, parece convocar a própria definição de milagre, “facto sobrenatural oposto às leis da natureza” (Dicionário Priberam dixit). Seria da natureza de Portugal ser eliminado nesta fase de grupos? Pelo sim, pelo não, não voltem a sortear os Estados Unidos no nosso grupo do Mundial.

O milagre é Cristiano Ronaldo

Num país que espera que o talento caia das árvores, apesar do bom trabalho de formação que alguns clubes vão fazendo, é difícil de entender que o milagre (o “prodígio”, a “maravilha”) é termos um jogador como Cristiano Ronaldo, que se trabalhou bem para além das possibilidades do seu talento ocasional para se transformar num jogador de super-elite. É difícil de entender que temos alguém que esconde boa parte das nossas fragilidades, culpando-o por todas as nossas incapacidades. Frente ao Gana, uma vez mais, foi Cristiano Ronaldo, a jogar lesionado, quem deixou no ar a possibilidade do milagre. Mas, num jogo de futebol, as leis da natureza reinam quase sempre. E a natureza dizia que sem um bom plano não existem grandes conseguimentos, neste Mundial.

Gomes & Bento

Para o Presidente da Federação e para o Selecionador Nacional é preciso analisar o que se passou, mas existe a certeza de que tudo está bem e recomendável para que, em setembro, se inicie nova caminhada de apuramento, desta vez para o Europeu 2016. Paulo Bento fala de “respeito e gratidão” pelo “grupo que nos levou às meias-finais do Euro 2012 e a este Mundial”. Fernando Gomes não tem dúvidas de que “a equipa técnica tudo fez para cumprir os objetivos”, ainda que reconheça o falhanço. Tudo se encaminha para a velha história de que só quem está dentro do grupo é que sabe, não havendo nunca forma de o comunicar para o exterior. Como se a base de tudo isto fosse, realmente, o milagre.

De olho no amigo

O receio do arranjinho no Alemanha – Estados Unidos era infundado, mas isso ter-se-ia percebido ainda mais cedo se se olhasse para a amizade entre Joachim Low e Jurgen Klinsmann, que durante imensos anos trabalharam juntos. Será que pode haver alguém que nos conheça melhor as fraquezas do que um amigo? Low e Klinsmann não podiam confiar no empate, porque estariam a colocar-se nas mãos de alguém em que, por muita confiança que exista, os conhece melhor que ninguém. Só os inimigos podem fazer pactos duradouros em tempos de guerra.

As mãos de Igor

Trato-o pelo primeiro nome porque o apelido, entre tanta reflexão sobrenatural neste crónica, temo que esteja amaldiçoado. O guarda-redes da Rússia – e, note-se, um dos melhores guarda-redes de sempre da história da Rússia, e estamos a falar da Nação de Yashin e Dassaev… – foi “culpado” dos empates frente à Coreia do Sul e à Argélia. Se frente aos coreanos o frango foi dos grandes, frente aos africanos não deixou de ser notória a diferença entre a linha da bola e o ponto onde chegou com os seus braços – não suficiente. A enorme devoção do povo russo poderá sentir-se traída, porque se Akinfeev tem defendido estes dois lances, o milagre teria sido possível. Mas as leis da natureza e as táticas de Fabio Capello explicam bem aquilo que com essa equipa se passou.

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