Selecção Alemã 2013

Selecção da Alemanha

Como disse Gary Lineker “o futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha”. Durante muito tempo a frase resumia o misto de respeito e frustração que os adeptos por todo o mundo sentiam. Um estilo de jogo nem sempre bonito, raramente excitante mas tremendamente eficaz. A selecção alemã de futebol é uma das mais bem sucedidas na histórias das grandes competições. Tanto no ranking da FIFA como dos Mundiais de Futebol a Alemanha ocupa a segunda posição, no primeiro precedida pela Espanha, no segundo pelo Brasil. Três vezes Campeã do Mundo – em 54, 74 e 90 –, quatro vezes finalista vencido e quatro terceiros lugares, a que se juntam três Europeus. Com o passar do tempo é possível que a tirada do mítico avançado inglês seja ultrapassada. A Alemanha continua dominante, por vezes mesmo avassaladora, mas já não ganha sempre.

Curiosamente, é o único país a acumular títulos mundiais de futebol tanto em masculinos como femininos. Die Mannschaft não falha uma fase final do Campeonato Mundial de Futebol desde 1954, ano em que se estreou a ganhá-lo.

A Mística de um Milagre

O primeiro jogo oficial foi frente à Suíça, em Basileia, a 5 de Abril de 1908, que os Helvéticos ganharam por 5 a 3. É interessante constatar que a Suíça sempre foi o adversário escolhido para as estreias da selecção alemã. Foi com eles a primeira partida que realizaram depois das I e II Guerras Mundiais, altura em que os germânicos foram proscritos de todo o “convívio” internacional; com eles também o primeiro desafio da Alemanha reunificada. Dificuldades financeiras impediram os Alemães de viajar até ao Uruguai para o primeiro Mundial de Futebol. A participação inicial, só em 1934, saldou-se por um 3º lugar.

Festa do Golo Alemão

A festa do golo Alemão

Depois da Segunda Guerra a equipa foi banida das competições internacionais e por isso não esteve presente no Mundial de 50, no Brasil. Quando, em 54, regressou a uma fase final ninguém dava nada por ela. Ainda na fase de grupos defrontou a poderosa Hungria. Se por astúcia ou simplesmente para poupar alguns dos seus jogadores a uma derrota desmoralizadora, certo é que o seleccionador não apresentou em campo a sua melhor formação. Perdeu 8 a 3. Na altura a equipa húngara tinha como alcunha Poderosos Magiares, e a frente de ataque era composta pelos “Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, Puskás, Czibor, Kocsis e Hidegkuti. Chegaram à Suíça como favoritos e já não perdiam um jogo há quatro anos.

O percurso no torneio foi feito de triunfos, alguns bem expressivos, como os 9-0 à Coreia ou os 8-3 à Alemanha. Brasil, nos quartos, e Uruguai, nas meias, também se renderam à sua superioridade. A final Alemanha-Hungria foi noticiada como o embate de David e Golias. Na Hungria natal já havia estátuas a homenagear os futuros Campeões Mundiais. Ninguém esperava outra coisa, ninguém esperava o “Milagre de Berna”. Na cidade Suíça, debaixo de chuva intensa, os Magiares cedo mostraram ao que vinham. Aos 8 minutos já Puskás e Czibor já tinham feito o gosto ao pé. Aguardava-se uma goleada mas o que se iniciou dois minutos depois foi a reviravolta. Molock reduziu e os Húngaros abanaram. Quando se começavam a recompor do choque Helmut Kahn fez o empate. A segunda parte foi uma batalha campal, frente-a-frente duas equipas de ataque a procurar ganhar. A 6 minutos do fim Kahn bisa e faz o terceiro para os germânicos. Na jogada seguinte Puskás ainda marca mas o árbitro invalida o golo. Quando o apito final soou ninguém conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Muito menos os homens capitaneados por Fritz Walter.

Brasil à Vista

O apuramento germânico para o Campeonato do Mundo de 2014 aconteceu com naturalidade. A Alemanha venceu o Grupo C, que incluía também Suécia, Áustria, República da Irlanda, Cazaquistão e Ilhas Faroe com 28 pontos em 30 possíveis. Dez jogos resultaram em 9 vitórias e 1 empate, 36 golos marcados.

A Alemanha comandada por Low guardou o espírito de equipa e empenho de outrora a que acrescentou uma criatividade e sofisticação que lhe eram estranhas. Quem gosta de futebol tem que apreciar o jogo rápido e inteligente, as transições, a qualidade de passe. Quando Ballack deixou de ser opção muitos recearam o futuro. Bastian Schweinsteiger ocupou o lugar no centro do terreno, Philipp Lahm a braçadeira de Capitão e a máquina bem oleada continua a encantar as bancadas. Com Manuel Neuer eles constituem a espinha dorsal desta selecção. Khedira e Ozil, cada um à sua maneira são a alma. Há quem adiante que mesmo que a lesão sofrida o impeça de atingir a melhor forma Sami Khedira não deixará de viajar para o Brasil, tal é a importância do médio na gestão do balneário. Mesut Ozil é a estrela e a sua genialidade em campo contagia a equipa. Como se vê agora no Arsenal, mesmo quando não deslumbra ele está lá a elevar a fasquia. Aos 25 anos este pode bem ser o seu Mundial.

Treinador

No final do Mundial de 2006, quando Klinsmann abandonou o cargo de seleccionador da Alemanha o seu vice ocupou o lugar. Ao contrário do

Joachim Low

Joachim Low, o técnico alemão

antecessor, Joachim Low não foi um jogador brilhante. Teve um percurso profissional mediano com várias passagens pelo Friburg e outros clubes da Bundesliga como o Eintracht Frankfurt, Estugarda ou o Karlsruher. Terminou a carreira de médio na Suíça, onde deu também os primeiros passos no papel de treinador. Em 95 voltou ao país natal para orientar o Estugarda, primeiro como adjunto e depois como treinador principal.

Levou a equipa a um quarto lugar da Bundesliga e à final da Taça das Competições Europeias de 98, que perdeu para o Chelsea. Low foi conquistando um estatuto de grande estratega e apaixonado pela táctica. Foi essa reputação que levou Klinsmann a convidá-lo para número dois. E nos bastidores ele montou a arquitectura do projecto do novo futebol alemão, que Jurgen protagonizava. Quando assumiu a liderança escolheu para adjunto o antigo médio do Bayern, Hans-Dieter Flick. Até agora esta equipa técnica levou a Alemanha a dois Euros e um Mundial. O Brasil será o terceiro. Uma final, que perderam para a Espanha, e uma semifinal nos Europeus; um terceiro lugar no Mundial da África do Sul.

Prováveis Convocados

Guarda-redes: Manuel Neuer, René Adler, Ron-Bobert Zieler.

Defesas: Marcel Schmelzer, Benedikt Howedes, Mats Hummels, Philipp Lahm, Per Mertesaker, Jérôme Boateng.

Médios: Bastian Schweinsteiger, Julian Draxler, Mesut Özil, Sami Khedira, Toni Kroos, Thomas Muller, Mario Goetze, Marco Reus, André Schurrle, Ilkay Gundogan.

Avançados: Miroslav Klose, Mario Gómez, Lukas Podolski, Max Kruse.

As Estrelas

A selecção alemã está cheia de estrelas. Estrelas essas que têm comprovado no campo, em jogos da selecção germânica e em jogos das suas equipas, que são jogadores acima da média, jogadores que fazem a diferença, e jogadores que sabe bem ver jogar.

Mesut Özil

Mesut Özil é o distribuidor de jogo da equipa

Começa logo na baliza com Manuel Neuer, o guarda-redes titular do Bayern Munique que, na estreia pela sua nova equipa, vindo do Schalke 04, sofreu um golo e pôs termo a 1018 minutos sem sofrer golos. Na defesa, Mats Hummels, que começou no Bayern Munique, mas foi no Borussia de Dortmund que se afirmou, tendo ganho a Bundesliga, a Taça da Alemanha e a Superliga pelos dois clubes e chegado à final da Liga dos Campeões pelo Borussia, é uma estaca no centro da defesa da selecção alemã. No meio-campo, Bastian Schweinsteiger do Bayern Munique e Sami Khedira do Real Madrid são as grandes referências. E no ataque, Miroslav Klose da Lazio e Lukas Podolski do Arsenal, são os marcadores de serviço e de quem se espera que traduzam em resultados positivos, o trabalho de uma equipa.

Mas a estrela é Mesut Özil. Distribuidor de jogo. Um mágico número 10 (embora tenha usado vários números ao longo da sua carreira, inclusivamente o 10, no Real Madrid, e agora, no Arsenal, jogue com o número 11). Özil foi um mágico no Real Madrid de José Mourinho. E agora no Arsenal de Arsène Wenger. Mesut Özil é um fantástico organizador de jogo, que joga e dá a jogar, sendo uma dos jogadores que, ao longo de uma época, mais assistências faz. E à imagem das actuações nos seus clube, também na selecção alemã é por ele que passa todo o jogo.

Em 2014, no Brasil, a selecção alemã será uma série candidata ao título e, Mesut Özil será, com certeza, um dos seus principais obreiros e, dos seus pés, nascerão muitas das jogadas que resultarão em golo.

Equipamentos

Alemanha A 2014 Alemanha B 2014

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