Portugal

Selecção de Portugal

A história da selecção portuguesa de futebol começou a escrever-se, a sério, no anos ’60, época de glórias, e de Otto Glória, época onde uma equipa nacional também brilhou na Europa: o Benfica. Em comum, na selecção e no Benfica, um nome: Eusébio da Silva Ferreira, nascido moçambicano mas português ultramarino.

Portugal estreou-se, pela primeira vez, num Mundial, em 1966, no Mundial de Inglaterra e fez um brilharete. Os novatos, que eram Magriços, chegaram ao 3º lugar depois de eliminados nas meias-finais pela selecção anfitriã e futura campeã do torneio organizado pela FIFA.

Depois desta experiência alucinante, com tão bom resultado, só quase 40 anos depois é que Portugal se tornou um habitué dos Campeonatos do Mundo – com um interlúdio no Mundial de 1986 no México, que ficou mais célebre com o caso Saltillo que propriamente pelo seu futebol.

Depois da época do fabuloso Eusébio, tivemos de esperar pelas épocas dos extraordinários Figo e Rui Costa e, agora, do genial Cristiano Ronaldo. Claro que sozinhos, este nomes não faziam a história, e se a fizeram, foi porque estiveram acompanhados. Muito bem acompanhados.

Mas tudo começou lá atrás. Muito lá atrás, no início do século XX.

História da Selecção

Tudo começou em 1921, quando, no seu primeiro jogo oficial com as cores nacionais, Portugal defrontou a Espanha e perdeu por 2 a 1. Mau início. Principalmente por ser contra a eterna rival, e vizinha, Espanha. De lá que nem bons ventos nem bons casamentos.

Os primeiros dois treinadores da selecção foram Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira, que alternaram os anos em que estiveram ao serviço da selecção, e ambos fundariam, anos mais tarde, o jornal desportivo A Bola, então bissemanário e hoje diário.

Federação Portuguesa de Futebol

O símbolo da Federação Portuguesa de Futebol é uma variação da cruz de Cristo

Mas naquele fatídico jogo, porque derrota, e logo contra a Espanha, a selecção nacional era comandada por um Comité de Selecção composto por vários nomes. Este sistema durou 2 anos e 3 jogos. Rapidamente entraria Ribeiro dos Reis e logo depois Cândido de Oliveira (ambos antigos jogadores da Casa Pia e do Benfica, e o último, o futuro homenageado pela Super-Taça de Portugal). Mas a história continuaria pobre e arredada dos grandes palcos até àquele de mês do nosso contentamento em 1966. Portugal, treinado pelo brasileiro Otto Glória, derrotaria Brasil, Hungria, Bulgária, Coreia do Norte – no famoso jogo em que esteve a perder por 3 a 0 ao intervalo e que acabaria por ganhar por 5 a 3, com 4 golos de Eusébio, que ganharia o título de melhor marcador do torneio – e a então União Soviética. E como já se disse, excelente estreia onde só perderia com os donos da casa que iria, também, ganhar o Campeonato.

Mas acabaria por ser sol de pouca dura. Teria de se esperar mais 18 anos por outro palco dourado e histórico – a primeira presença de uma selecção nacional num Campeonato Europeu, em 1984, em França -, e 20 por um retorno a outro Mundial: México ’86.

Em 1984, Portugal fez uma campanha de qualificação vitoriosa ficando em 1º lugar num grupo que contava com Finlândia, Polónia e, de novo no nosso caminho, a União Soviética. Nesse Europeu, Portugal fez, de novo, outro brilharete. Empates com Espanha e Alemanha Ocidental e vitória contra a Roménia que lhe garantiu a passagem às meias-finais onde jogou, e perdeu, de novo com a selecção anfitriã, a França, num jogo que ficaria para a história pelo desempenho da selecção portuguesa que se bateu de igual para igual, com um lado esquerdo fabuloso onde pontuava Alvaro e Chalana, uma dupla diabólica. Que jogo!

Dois anos mais tarde a mesma selecção qualificava-se, pela segunda vez na sua história, para um Mundial de Futebol. México ’86. E tudo o que poderia ter corrido mal, correu. Eliminados na fase de grupos depois de uma saborosa vitória sobra a Inglaterra – uma pequena vingança sobre ’66 -, Portugal viria, depois, a perder com a Polónia e Marrocos. A verdade é que este Mundial acabou por ser mais um Campeonato de reivindicações e revolta que de futebol. Isto, no que respeita à selecção nacional. O acontecimento ficou conhecido como o Caso Saltillo (a cidade mexicana onde a selecção nacional montara o seu quartel-general). Os jogadores revoltaram-se contra a direcção da Federação Portuguesa de Futebol (os muito conhecidos Silva Resende e Amândio de Carvalho, este último manteve-se na Federação até há poucos anos) e mesmo o seleccionador José Torres não saiu ileso (foram conhecidas as controversas escolhas de jogadores para agradar a gregos e troianos e a ausência de Manuel Fernandes, o melhor marcador do Campeonato Nacional).

Eusébio

Eusébio é, ainda, a grande referência do futebol português

Os problemas começaram logo pela viagem, mal estruturada, com duas escalas, em Frankfurt (na Alemanha Ocidental) e em Dallas (nos Estados Unidos). Antes disso, já Veloso tinha sido excluído da equipa por ter acusado positivo num controle anti-dopping. Continuou, depois, com a escolha de Saltillo, a cidade mexicana que serviu de base às selecções de Portugal e Inglaterra, onde não havia resguardo dos jornalistas e da curiosidade do público, além de não preparar a equipa para os jogos em altitude onde teria de defrontar os seus adversários (por isso, talvez a vitória sobre a Inglaterra, que acabou por sofrer do mesmo problema). Depois ainda a escolha, mais uma vez controversa, do Hotel, com um inacreditável campo de treinos numa encosta, onde o campo era literalmente… inclinado. Para terminar, a revolta dos jogadores contra a publicidade garantida pela Federação que os jogadores eram obrigados a fazer não ganhando nada com isso, o que levou que uma parte deles treinasse com as camisolas do avesso para não fazerem publicidade. Para terminar, toda uma série de estórias paralelas que falavam de prostitutas e festas e farras. Enfim, um verdadeiro forró.

Esse foi também o campeonato em que Bento, o guarda-redes da selecção e do Benfica, partiu uma perna e nunca mais jogou e que o guarda-redes que o substituiu, Damas, o experiente jogador do Sporting, acusou a responsabilidade e teve uma depressão. Foi também o Campeonato em que era problemático colocar Paulo Futre e Fernando Gomes a jogar juntos para não desequilibrar as forças das equipas nacionais no seio da selecção.

O Mundial de 1986 no México foi uma lição para recordar. A maior parte dos jogadores foi afastada da selecção. E esta, durante 10 anos nunca mais se viu nos grandes palco. E estamos a falar de uma selecção onde jogavam Manuel Bento, Victor Damas, Alvaro Magalhães, Augusto Inácio, Jaime Pacheco, Jaime Magalhães, Carlos Manuel, António Sousa, Fernando Gomes, Paulo Futre, Rui Águas e Diamantino. Uma equipa que merecia mais, portanto.

O Regresso para Ficar

Dez anos depois de Saltillo, e com uma selecção renovada, onde já pontuavam alguns dos campeões do Mundo de sub-20 da Arábia Saudita ’89 e de Portugal ’91, como Fernando Couto, João Pinto, Paulo Sousa, Rui Costa e Figo, Portugal volta aos grande palcos do futebol mundial.

Em 1996, a selecção portuguesa apura-se, pela segunda vez na sua história, para um Europeu de Futebol. Com uma fase de apuramento exemplar (deixou o segundo classificado, a Irlanda, a 6 pontos de distância), acabaria por ficar nos quartos-de-final, na fase final disputada em Inglaterra, ao perder 1 a 0 com a selecção checa, com um golo do futuro jogador do Benfica, Karel Poborsky.

Chalana

Chalana foi o grande jogador português dos anos ’80

A partir daqui, nunca mais a selecção portuguesa falharia um Europeu: em 2000, no Europeu da Bélgica-Holanda, chegaria às meias-finais, que perderia contra a selecção francesa no jogo do golo de ouro, onde Zinédine Zidane marcaria o penalty a castigar uma suposta mão de Abel Xavier; em 2004 seria o anfitrião do Europeu, e teria aos seus comandos o campeão Mundial pelo Brasil, Luiz Felipe Scolari e, com ele, ultrapassaria a Rússia, a Espanha, a Inglaterra e a Holanda, mas perderia a final, contra uma cinzenta, mas mortífera, selecção grega; em 2008, no Europeu da Áustria-Suíça, seria eliminado nos quartos-de-final pela Alemanha que ficaria em segundo, ao perder a final para a Espanha; e em 2012, no Europeu da Polónia-Ucrânia, Portugal só seria eliminado nas meias-finais, pela selecção espanhola, nas grandes penalidades, depois de 120 minutos a zero.

Com os Mundiais foi preciso esperar um pouco mais. Mas valeu a pena. Tudo recomeçou, mal de novo, em 2002, no Mundial da Coreia do Sul-Japão, onde muitos viram uma repetição de Saltillo, 16 anos atrás. Era o Mundial da Geração de Ouro que apostava tudo na conquista do torneio. Mas, tal como no México, tudo começara de forma errada. Logo de início o jogador Kenedy foi suspenso por acusar positivo num controle anti-doping. Depois, a viagem foi mais um passeio turístico e comercial que de preparação para o que aí vinha. Antes de irem para o torneio, a selecção fizera um desvio por Macau. Festas, compras e compromissos comerciais. Mais tarde, ainda, e tal como em Saltillo, o problema com os prémios de jogo não resolvido em casa a ser problema e escândalo fora de portas. Depois o descalabro na fase de grupos: após vencer a selecção polaca por uns concludentes 4 a 0, a equipa nacional embandeirou em arco e foi derrotada pela selecção dos Estado Unidos por 3 a 2 e pela selecção da Coreia do Sul por 1 a 0, num jogo muito polémico e contestado, onde o capitão João Vieira Pinto foi expulso por ter tido uma entrada perigosa sobre um jogador coreano e que acabaria, alegadamente, por agredir o árbitro.

Mas serviu de emenda. No Mundial de 2006, ainda com Scolari, na Alemanha, Portugal chegou às meias-finais. Tendo vencido, na fase de grupos, as selecções de Angola, Irão e México, Portugal acabaria ainda por derrotar as selecções da Holanda e de Inglaterra, numa reedição do Europeu de 2004, e só perderia, nas meias-finais, e mais uma vez com a besta negra da selecção nacional, a selecção francesa. Depois, na atribuição do terceiro e quarto lugares, Portugal acabaria por perder com a Alemanha, a anfitriã do torneio. Luís Figo e Pauleta terminavam aqui a sua prestação ao serviço da selecção nacional.

Luís Figo

Com Luís Figo, e Rui Costa, nascia a geração de ouro

Em 2010, no Mundial da África do Sul, a selecção voltaria a confrontar-se com alguns problemas, mas estes mais centrados na figura polémica do seu treinador, Carlos Queiroz. A fase de apuramento foi muito complicada, com os 3 primeiros jogos a resultarem em empates a zero e Portugal a ter que disputar o play-off contra a Bósnia-Herzegovina. Começou aqui a saga dos play-off que nos tem acompanhada desde então.

Nesse Mundial de 2002,  a selecção portuguesa reflectiu bastante a figura do seu seleccionador, Carlos Queiroz que, depois dos grandes feitos nas equipas de formação nos sub-17, 19 e 20, e embora se mantivesse sempre em equipas de primeiro plano, nunca mais conseguiu grandes feitos. Quer dizer, isso não é bem verdade, pois ganhou uma Taça e uma Super-Taça de Portugal, ambas pelo Sporting, uma Super-Taça de Espanha pelo Real Madrid e vários títulos em Inglaterra enquanto adjunto de Alex Ferguson no Manchester United e ainda uma presença no Mundial de 2002, na Coreia do Sul-Japão, com a selecção da África do Sul. Mas nunca conseguiu reflectir  nos resultados o poder das equipas por onde passou, tendo tornado-se um treinador controverso. E foi assim que terminou o seu trabalho à frente da selecção portuguesa: no Mundial da África do Sul, Portugal empatou a 0 com a Costa do Marfim, goleou por 7 a 0 a selecção da Coreia do Norte e voltou a empatar a 0 com a selecção do Brsil, considerado por muitos como um jogo muito desinteressante. Portugal acabaria por ficar nos oitavos-de-final com a Espanha, futura campeã desse Mundial, ao perder por 1 a 0, com um golo marcado fora-de-jogo.

Carlos Queiroz ainda iniciou o trajecto para o Europeu de 2012, na Polónia-Ucrânia, mas depressa foi substituído por Paulo Bento, o actual treinador da selecção portuguesa, num processo muito controverso. Depois de tudo isto, Carlos Queiroz acabaria por conseguir apurar a selecção do Irão para o Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, onde irá ser um dos 3 treinadores portugueses presentes (o terceiro é Fernando Santos com a selecção da Grécia).

Selecção de Portugal para 2014

Mantendo o hábito muito português de deixar tudo para o fim, a selecção portuguesa acabou por se apurar para o Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, em mais um play-off, desta vez contra uma difícil selecção sueca, onde joga uma das grandes estrelas do futebol mundial que Portugal conseguiu afastar do Campeonato do Mundo: Zlatan Ibrahimovic.

Portugal conseguiu levar de vencida a Suécia nos dois jogos, ganhando o primeiro, em casa, por 1 a 0, e o segundo, fora, por 3 a 2, em duas grandes finais onde o capitão Cristiano Ronaldo se superou, sendo o autor dos 4 golos portugueses e afirmando-se como um dos melhores jogadores do Mundo, senão mesmo, o melhor.

Esta selecção que se prepara para ir para o Brasil em 2014 não será a melhor selecção portuguesa mas contará, pelo menos com um dos melhores jogadores portugueses de sempre que, se mantiver a forma com que está actualmente, poderá fazer magia e, com um bom sorteio, levar Portugal até onde ele nunca foi.

Num país que já foi Portugal, num país onde existem muitos portugueses, num país que tem tantas afinidades com Portugal, a selecção portuguesa estará, quase, a jogar em casa. E isso poderá ser bom. Esperemos.

Treinador

Paulo Bento

Depois do Europeu de 2012, Paulo Bento leva a selecção ao Mundial 2014

O treinador português que conseguiu o apuramento, e que já vinha do Europeu de 2012, é Paulo Bento.

Paulo Bento foi um jogador de futebol que, entre outros, representou a Selecção Nacional, o Vitória de Guimarães, o Benfica e o Sporting. Era, aliás, treinador das camadas jovens do Sporting quando foi promovido a treinador principal após uma chicotada psicológica que afastou o treinador José Peseiro. Em 4 épocas à frente da equipa principal do Sporting, Paulo Bento ganhou 2 Taças de Portugal e 2 Super-Taças Cândido de Oliveira.

À frente da selecção portuguesa conseguiu o apuramento para o Europeu de 2012, onde conseguiu chegar à meias-finais onde seria derrotado pelo futuro campeão do torneio, a Espanha, num jogo emotivo, embora sem golos em 120 minutos, apenas nos remates de grande penalidade.

Prováveis Convocados

Guarda-redes – Rui Patrício, Eduardo, Beto;

Defesas – João Pereira, André Almeida, Bruno Alves, Pepe, Ricardo Costa, Luís Neto, Fábio Coentrão, Antunes;

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do Mundo

Médios – Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Rúben Micael, Rúben Amorim, Josué, William Carvalho;

Avançados – Cristiano Ronaldo, Nani, Hélder Postiga, Varela, Danny, Éder, Hugo Almeida;

As Estrelas

A estrela da companhia é, como não podia deixar de ser, Cristiano Ronaldo. Que, ainda por cima, e nesta altura, tem a possibilidade de ir ao Campeonato do Mundo com o título de Melhor Jogador do Mundo. Motor do Real Madrid, Ronaldo é, também, o motor desta selecção – como pôde ser visto nos dois jogos do play-off.

Mas, não sendo uma equipa de excelência, a selecção portuguesa conta com outros jogadores acima da média e que podem fazer a diferença, como Pepe e João Moutinho e as duas novas esperanças, Éder e William Carvalho.

Equipamentos

Portugal A 2014 Portugal B 2014

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