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Portugal Alemanha

Tudo o que poderia correr mal…

Não se poderia imaginar pior estreia para Portugal neste Campeonato do Mundo do Brasil, do que ser-se goleado pela Alemanha, 4-0, e ainda perder, muito provavelmente, três jogadores para o próximo jogo, Pepe por expulsão, Hugo Almeida e Fábio Coentrão devido a lesão. A Alemanha tornou a sua vida bem fácil ao mostrar saber exatamente o que fazer para encontrar espaços na defensiva portuguesa que, tal como aconteceu algumas vezes na fase de qualificação, entrou no relvado sem demonstrar a existência de um scouting feito ao adversário, ou seja, sem a mínima ideia de quais seriam os movimentos germânicos e, por consequência, sem antídoto para parar as sucessivas investidas na sua área.

Portugal apenas esteve no jogo nos minutos iniciais, onde conseguiu criar duas oportunidades, primeiro com Cristiano Ronaldo a soltar-se pela direita e a servir Hugo Almeida, que não teve a velocidade para ganhar à frente ao defesa alemão e permitiu a defesa de Neuer, e, depois, com Miguel Veloso a roubar a bola a Lahm e a oferecer o golo a Cristiano Ronaldo, que teve também em Neuer uma barreira à altura. Aqui terminou o reinado dos portugueses em Salvador da Bahía, pois os alemães agarraram o jogo e não mais deram espaço para qualquer atrevimento luso.

Não és tu que me ganhas, sou eu que me perco

Os primeiros sinais de nervosismo de Rui Patrício e Pepe surgiram logo aos sete minutos, com o defesa a fazer um mau atraso para o guarda-redes, que correspondeu com um passe para o adversário, que falhou o golo por pouco. Logo a seguir, João Pereira e Gotze agarraram-se mutuamente dentro da área portuguesa e o árbitro assinalou uma grande penalidade a favor dos germânicos. Muller atirou para o lado esquerdo da baliza e a Alemanha colocava-se na frente. O conjunto de Joachim Low mostrava-se sempre capaz de encontrar os espaços deixados em aberto pela defensiva portuguesa e continuava a criar hipóteses, com Portugal a responder através de Nani, que rematou sobre a barra à passagem dos vinte e quatro minutos.

A primeira lesão nos portugueses surgiu aos vinte e sete minutos, com Hugo Almeida a ficar caído depois de lance disputado com Hummels. Éder entrou para o seu lugar e acabou por dar algum dinamismo ao ataque português. Mas eram os alemães os donos desta história e, à passagem da meia-hora, Ozil surgia solto na direita e centrou para Gotze finalizar perto da marca da grande penalidade. A bola foi salva por Bruno Alves mas, no canto marcado por Kroos, Hummels saltou mais alto que Pepe e Bruno Alves e cabeceou para o fundo das redes.

Pepe Portugal Alemanha

Tarde para esquecer…

Tudo estava demasiado negro para os portugueses, que logo a seguir a sofrer este golo, não souberam aproveitar um erro da equipa de arbitragem a seu favor, com Fábio Coentrão a aproveitar a deslocação em relação à linha defensiva alemã mas a optar por um centro que não encontrou resposta. No canto, Éder criou perigo de novo, cabeceando por cima, mas viria a ser Pepe, no minuto seguinte, quem perdeu, definitivamente, a cabeça. Tendo dado sinais de alguma ansiedade desde cedo, Pepe acertou em Thomas Muller numa disputa de bola, com o alemão a cair sem que o árbitro marcasse falta. O defesa-central português, mesmo assim, foi encostar a sua cabeça na do alemão, como que lhe exigindo uma explicação, atitude que foi entendida pelo árbitro como merecedora de cartão vermelho.

Menos um, chega o terceiro

Ainda antes do intervalo, só com dez elementos no relvado, Portugal sofreu o terceiro golo. Depois de iniciativa de Kroos a partir da faixa, Bruno Alves falhou o alívio e Muller, a aproveitar o erro, rematou sem hipóteses para Rui Patrício. Perante a necessidade de mexer na sua equipa, Paulo Bento chamou Ricardo Costa para ocupar posição no centro da defesa, tirando Miguel Veloso da equipa. Nani recuava para o meio-campo, fazendo lembrar os seus primeiros tempos no Sporting, enquanto Cristiano Ronaldo e Éder ocupavam a frente de ataque. A Alemanha regressava do intervalo com muito menor velocidade, mais apostada em fazer a gestão da vantagem e, sem que Portugal mostrasse talento ou vontade de procurar uma reviravolta, o jogo foi entrando em banho-maria, acabando, nesta fase, por ser um dos jogos mais desinteressantes do Mundial, até agora.

A Alemanha começava a fazer substituições para refrescar o seu onze, com Schurle a surgir no lugar de Ozil, e aos sessenta e dois minutos, Fábio Coentrão, depois de um esforço na faixa esquerda, ficou caído no relvado agarrado à sua perna, temendo-se o pior para o internacional português do Real Madrid. André Almeida entrou para o seu lugar, ficando sem efeito a substituição que Paulo Bento preparava, com Hélder Postiga pronto para entrar. Ficou, assim, sem se saber quem seria o preferido do técnico para sair – se se trataria de uma aposta numa frente de ataque mais alargada, ou se passava pela cabeça do treinador dar descanso a Cristiano Ronaldo.

Até ao final do encontro, os germânicos voltaram a ter oportunidade para marcar. Rui Patrício aliviou, uma vez mais, mal, com a bola a ficar na posse do adversário. Schurle, no seguimento da jogada, apareceu solto no lado direito, centrou para a área, onde Patrício foi incapaz de afastar a bola, permitindo o hattrick de Thomas Muller. Tudo isto aconteceu depois de também Hummels se ter lesionado, colocando mal o pé depois de um voo para disputar uma bola com Éder, tendo sido substituído por Mustafi.

A culpa do árbitro ou uma forma de expiar os erros

O sérvio Milorad Mazic teve uma tarde para esquecer. Das dúvidas geradas na grande penalidade que dá origem ao primeiro golo, ao nível de disciplina demonstrado no vermelho mostrado a Pepe.Perto do final, Mazic deixou ainda passar um derrube a Éder no coração da área alemã, mas nem essa sucessão de decisões arbitrais podem esconder a má preparação de Portugal para o que viria a encontrar neste jogo. Paulo Bento tem apresentado como uma das suas qualidades a manutenção de um onze, ao qual é fiel, passe o que passe. No entanto, neste jogo, as suas escolhas não serviram os melhores interesses de Portugal, que acabou por ter como figuras em maior destaque a intensidade que Raul Meireles e João Moutinho colocaram nas suas ações, ainda que sem resultados práticos.

Portugal começa, desde já, a fazer contas para o apuramento. Disputará uma vaga com Gana e Estados Unidos e poderia ver num empate entre estas duas seleções, mais logo, uma vantagem para o que falta. Sendo certo que duas vitórias nos dois próximos jogos poderá garantir o apuramento – e, mesmo perante as ausências que se esperam, é Portugal favorito para vencer -, também ficou claro que está a equipa de Paulo Bento muito abaixo do que é necessário para garantir uma vaga nos oitavos-de-final. Até ao próximo domingo, há muito que decidir no balneário português.

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