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Johan Cruyff

Um bocejo de Johan Cruyff pelo futebol de Brasil e Argentina

Johan Cruyff é daquelas personagens que não tem paciência nem pachorra para aquilo que o incomoda. Não tem papas na língua e não se preocupa em ser politicamente correcto.

A última bicada de fantástico holandês voador foi para algum futebol sul-americano. Mais concretamente, para o futebol que tanto o Brasil como a Argentina têm vindo a produzir. E isso não lhe deixa margens para dúvidas: os alemães são quem está a praticar o melhor futebol. Não a sua Holanda. Mas a Alemanha. A Alemanha de Joachim Löw.

Na coluna semanal que o incrível holandês tem no jornal De Telegraaf, ao comentar as últimas incidências do Campeonato do Mundo que está na sua recta final, Cruyff diz que “para bem do futebol, eu espero que os alemães sigam em frente, porque os brasileiros têm-se negado a jogar. [...] Quando vejo quantos grandes e bons jogadores a selecção brasileira tem no banco, porque é que preferem os jogadores que ficam atrás da bola e jogam com passes directos?”

E detonando tudo, Johan Cruyff continua: “é um pecado que países como Brasil e Argentina aproveitem tão pouco o seu talento”. Portanto, cai por terra a teoria que dizia que não havia pecado a sul do equador. Afinal há e é da responsabilidade de brasileiros e argentinos. Nada de novo, portanto. Mas sim, há algo de novo. Alguém com responsabilidades, que é lido e ouvido e escutado, diz o que diz, e que a maior parte dos comentadores tem escamoteado. Brasil e Argentina tem sido bafejados pela sorte, e por uma ou outra ajudinha, para chegar onde chegaram. E neste caminho, muitas boas equipas foram ficando para trás. Num Campeonato que tem tido muitos grandes jogos de futebol, nestes não entram as equipas do Brasil e da Argentina que estão agora nas meias-finais.

No entanto, somos obrigados a concordar com o antigo laranja mecânica. E como já aqui dissemos várias vezes, o futebol brasileiro e argentino está frágil, feio e frouxo. Muito dependente de Neymar (o Brasil), e Lionel Messi (a Argentina). Mas como ele próprio afirma, não é por falta de grandes jogadores. Então o que se passa? O mesmo que em muitas outras latitudes: o medo de modificar e a lealdade a núcleos de trabalho. Nada que não se tivesse já passado com a selecção portuguesa. Agora, com Paulo Bento, mas também já, outrora, com Luiz Felipe Scolari, que teve, no entanto, a sorte do resultado. O que também se passa aqui. A um futebol pobre, o Brasil responde com a caminhada imparável até, por agora, às meias-finais.

Mas vamos ver por quanto mais tempo isso se vai aguentar. Poderá, hoje, o Brasil ultrapassar a Alemanha?

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