Última Hora

• Nenhum artigo encontrado
scolari

“Vou ser lembrado por perder 7 a 1”

No final da catástrofe da meia-final, Luiz Felipe Scolari apresentou-se na sala de imprensa para enfrentar os jornalistas. Como o resto dos brasileiros, Felipão ainda estava a processar o que tinha acabado de acontecer. Começou a falar num jogo atípico, as derrotas acontecem. Pediu desculpa ao povo por não ter chegado onde queria mas a vida não acabava por isso. Assumiu a responsabilidade, mas só porque é quem toma as decisões. Só no fim a ficha foi caindo. “Vou ser lembrado por ter perdido 7 a 1”. Não sei se este foi o pior dia da vida dele, mas estará no topo. E até sábado não vai melhorar.

Acordar do pesadelo

Aos sessenta e cinco anos, o selecionador brasileiro nem nos seus mais terríveis pesadelos pensou passar por isto. Ele, que correu o mundo, e a imensa extensão do território brasileiro, assumindo clubes e equipas nacionais, nunca se atreveu a imaginar viver um descalabro destas dimensões. Não se deixem enganar pela sua compostura na conferência de imprensa. O choque, a descrença, em relação ao que acabavam de assistir não o sentiram apenas os adeptos brasileiros. Scolari também o sentiu, mas tudo o que sabemos dele indica que não é homem de desmoronar diante de ninguém. Também não está na sua natureza cair de joelhos e pedir perdão. Talvez caísse melhor com a torcida, com o povo brasileiro, mas não o fará. Empurrado por um jornalista a apontar os responsáveis ele reconheceu, sem grande convicção, que era ele. “Quem é o responsável? Quem é o responsável pelas escolhas? Sou eu. Sou eu o responsável. O resultado catastrófico pode ser partilhado por todo o grupo, e os meus jogadores vão dizer que partilhamos as responsabilidades, mas quem decide as táticas? Sou eu. Então, a pessoa responsável sou eu. Fiz o que achava melhor.”

“Vou-me arrepender de quê?”

Responsável talvez seja mas não sente culpa. Nem se arrepende das suas decisões. Correu mal, acontece, faz parte do jogo. “Foi um resultado. Vou-me arrepender de quê? Tivemos oportunidades. Imaginava que com a volta de Óscar, do Hulk e do Bernard, nós tivéssemos como fechar o meio-campo. Até à hora do golo tudo estava organizado. Após o gol, o nosso time ficou desorganizado e ficamos em pânico.” Scolari parece demorar a entender que esta foi mais que uma derrota, foi uma humilhação inesquecível do Penta Campeão, em casa. Isso foi evidente na forma como descartou a necessidade de repensar o futebol que a seleção pratica, das implicações para o seu futuro, da pressão sobre o plantel. “Por quê? Porque perdemos um jogo hoje? Dos jogadores que estão aí, no mínimo, uns doze estarão em 2018. É a pior derrota do mundo mas temos que retirar ensinamentos para o caminho. Foi um branco que deu no time.”

Sábado pode haver sequela

Claro que, seja qual for o desfecho da segunda semifinal, o Mundial ainda não acabou para a Canarinha. Esse é o maior desafio de Scolari. Contrariar a vontade instintiva ficar a remoer a desilusão e convencer os seus homens a ir a jogo. No sábado, provavelmente com grande contestação do seu próprio público, o Brasil vai disputar o jogo “dos tristes” por um lugar no pódio. Que não será nunca um encontro fácil – seja Argentina ou Holanda o adversário. Pode acontecer um duplo desastre, com uma pressão extra se forem os das pampas a atravessar o caminho do Escrete. Por isso, Scolari não se pode deixar cair, nem tampouco falar do seu futuro. Ele sabe que não tem condições para continuar à frente da seleção, talvez nem sequer possa continuar no Brasil. Num vislumbre dessa lucidez ele mesmo reconheceu, “vou ser lembrado por ter perdido 7 a 1”, essa mancha não se disfarça. A imprensa brasileira já começou a adiantar nomes para a sucessão, assumindo que o jogo de sábado será o último orientado por Felipão. A escolha mais consensual parece ser Tite, o treinador do Corinthians.

A supports the restructuring effort, union officials have reservations about how the implementation process http://pro-essay-writer.com will unfold

Outros Artigos Recomendados

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *